Artquitectura do meu ser

Arquitectura do meu serEra tão mais fácil e descomplicado. Eu sei, sei bem, mas não o controlo. Vivo preso, ou desprendido, qual pássaro, nesta agonia constante de saber sempre bem o que quero, sem compreender bem o que quero.

Mais.

É isso que eu quero sempre: mais. No entanto, nem sempre é tangível a ideia que crio do mais. É vaga, ainda que motivante. Não é que não goze o que o momento me oferta, porque gozo. Gozo o tanto que sei e o tanto que posso. Mas por descontrolo, ou controlo, sei lá, a minha mente dispara sempre para o a seguir. Invejo os que desejam a pacatez da segurança de uma vida quotidiana, mas não me consigo enlevar nesse patamar. Desassossego-me, sem dó nem piedade de mim.

Disfruto a certeza de que passo pela vida com vontade, mas inquieto-me nos receios de me quedar amordaçado ao que já fiz. Tenho muito medo de me saturar de mim. Gosto de partir. Sair do meu corpo e procurar ser uma pessoa nova. São tantas as vezes que bato com a cabeça, que me olho e sinto saudades do que já fui, mas também são incomensuráveis as que me sinto a ser feliz de já não ser quem fui. Mantenho aqueles traços de base, como a planta de uma casa, mas rabisco por cima. É uma parede que ponho abaixo, uma janela que abro, um sofá que mudo de sítio. É assim que eu sou. Uma casa em mudanças.

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