No teu olhar

No teu olhar

Aonde? Não te encontro em parte nenhuma. Procuro-te e procuro-te, desvanecido como um nuvem, e deparo-me sempre com a tua ausência.

Que saudades da tua voz, do teu tocar, do teu sentir. Não me apetece usar o ‘e’, a lista poderia continuar. Não é o amor que ferve nas entrelinhas do meu coração, é a saudade, a falta que me fazem as pequenas coisas. O olhar. A viagem que sempre fiz pelo teu olhar, os sítios onde me levavas quando me encaravas, as mensagens que me ditavas em silêncio. Uma mulher que olha assim, com o mundo dentro da menina do olho, é uma mulher especial. O cabelo deslizava-te, a pele torneava-se, o mundo acontecia, mas eu estava ali. No teu olhar.

Aquelas palavras curtas, certeiras, que me rompiam como uma aragem que erra por nós adentro. Trémulo, procurava a tua aprovação. Transitava os meus objectivos para ti, liquefazia-me nas minhas ideias, como numa procura infinda por uma resposta tua. Um orgulho, um elogio, sei lá, um beijo. E tu a aconteceres especial em frente a mim, subtil, mergulhada em certezas e incertezas, divagante como uma poeta. E eu a olhar para dentro, para dentro e para dentro. Com tudo a acontecer do lado de fora. O arrepio da pele, o toque do beijo, o aconchego do corpo. Sinto a tua falta nas palavras que não escuto, nos olhares que não vejo e nos ventos que não assomam.

É Outono ou Inverno, o vento sopra, mas é silêncio. Apenas zumbe, não reclama, não elogia, não oferece verdade. O mundo acontece além de nós. No teu olhar.

3 thoughts on “No teu olhar

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