Os meus vinte e sete anos

os meus vinte e sete anos

Ao longo da vida, tenho vivido experiências de todo o tipo. Umas mais felizes, outras mais tristes, mas todas vividas. Não sei partir o coração ao meio.

Para mim, crescer nunca foi tornar-me uma pessoa sisuda, completamente centrada em si e absorvida pelas suas responsabilidades. Guardo-me o direito de tratar os assuntos sérios com a ligeireza de quem sabe que a vida não acaba amanhã, por muito que possa acabar. A idade, que ainda é curta, tem-me dado a lição que a minha exaltação de viver só me favorece quando a pondero. E ponderá-la não é anulá-la, é medi-la entre o que são as minhas ânsias de felicidade e as minhas ânsias de revolta. Porque elas, dentro de nós, parecem iguais, mas, na prática, não são. Acreditem, não são.

Hoje sou mais homem do que era ontem. Não foi um ano fácil, quando tinha tudo para sê-lo. Houve problemas de saúde de pessoas que muito estimo, amo e admiro, mas também houve muitos erros meus. Não temam que me torne uma pessoa triste, não tornarei. Tornar-me-ei, sim, melhor pessoa. Não acredito que os erros se esqueçam, acredito é que os acomodamos num sítio em que aprendemos a lidar com eles e a sermos mais responsáveis e felizes.

Fui muito vaidoso durante este ano que passou, por culpa vossa. Deram-me tudo, de coração, e eu não soube lidar com isso. Habituei-me aos píncaros e esqueci o trabalho diário que os cumes requerem. Acomodei-me no trabalho, acomodei-me nos meus projectos e acomodei-me na minha vida pessoal, acreditando que depois de um nível tão alto nada voltaria a ser como antes. E não foi. A minha vaidade roubou-me o prazer das coisas que sempre me apaixonaram e eu não percebi porquê. Agora, percebo. Pela simples razão que tudo o que eu faça para vos agradar, será porque antes me agrada a mim. E era isso que eu tinha esquecido.

Vaidade não é a palavra certa. Insegurança, sim, a palavra certa é insegurança. Fiz coisas das quais me orgulharei a vida toda, conquistei pessoas que amarei, seja de que forma for, toda a vida e, depois, perdi-me. Senti que tinha chegado a um patamar que nunca mais poderia alcançar e passei a duvidar de tudo o que fazia, de tudo o que me davam. Não me bastava nada, nem meu nem dos outros. Tudo era pouco, muito pouco.

Nunca seremos grandes o suficiente para não nos colocarmos em causa. Eu sou mais um exemplo disso, mas com a certeza que o nosso segredo está sempre dentro de nós, para o bem e para o mal.

Chegado aos vinte e sete anos, com o tanto que já perdi e com o tanto que já conquistei, sei que nos próximos vinte sete estarei a travar exactamente as mesmas batalhas. As vitórias e as derrotas somos nós que as fazemos, estão em nós.

Obrigado, pais, por me terem dado a possibilidade de viver este mundo incrível em que ganhamos e perdemos, respiramos e sorrimos, choramos e batalhamos, sempre com a felicidade de a ele pertencermos. E, claro, por hoje, como ao longo de toda a minha vida, me terem conseguido surpreender. Nunca esquecerei o que fazem por mim, viva cem ou mil anos. Como nunca esquecerei as pessoas que povoam a minha existência. Devo muito da minha felicidade às pessoas que me rodeiam. Sou mais feliz convosco, sem vos enumerar. Cada um de vós sabe quem é.

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