A perna

A perna

A perna saía do lençol, solta, a mostrar-se nua desde a ponta mais distante das costas até à ponta mais longínqua do pé.

Fiquei a olhá-la. Sem tocar-lhe, percebia-lhe o brilho da derme, a tonificação perfeita do gémeo, o aglomerado carnudo, e perfeito, da coxa, que fazia adivinhar a curva declinada até às costas. Era linda. Beijei-lhe o pescoço.

O torço do corpo, desenhado nas engelhas do lençol, fazia-me suar todas as ânsias que tinha de tocá-la, de beijá-la, de puxá-la para mim. Passei-lhe a mão no rosto, leve. Senti a respiração dela a tocar os meus dedos, a arrepiar-me todos os poros. Não queria concluir aquele momento, queria apenas sentir a textura, olhá-la, perceber-lhe a beleza do corpo e o encanto do rosto. A paz em que dormia.

Fiquei assim, durante minutos. A olhá-la, a perceber-lhe a serenidade naqueles ensejos matinais. A luz rompia pelos estores, fugidia, apenas a acalentar-me a predileção. Lembrava-a liberta, a prender os lençóis com as mãos e a olhar-me nos olhos, silenciada, mas faladora. Expressiva.

Ela acordou e eu ainda dormia.

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