As praxes

As praxes

Pronto, com o Luís Pedro Nunes voltou a estalar a polémica das praxes.

As opiniões são sempre muito derivantes, porque se trata de um assunto de extremos. Ou se ama, ou se repudia. Não tem que ser assim, julgo eu.

Nem todos os que praxam são trogloditas e nem todos os que se deixam praxar são miúdos sem personalidade, dispostos a tudo para serem aceites. Já sei que a minha opinião, junto do rol que preenche os feed’s das redes-sociais, é desenxabida e sem nada de novo. Mas, se me calasse a cada vez que julgam que a minha opinião não tem nada a acrescer, acreditem que não tinha um curso nem estava a trabalhar.

Eu ganho o meu dinheiro a gerir projectos, ora por mim criados, ora por outros criados, mas sempre com base em opiniões e intuições minhas. Valem o que valem, mas são minhas. E, no decorrer da praxe, foi a mesma coisa. Estive lá sempre que quis, fui algumas vezes que não me apetecia tanto, outras não apareci, fiz amigos, respeitei uns e não admirei outros. É assim a vida, não calcorreamos estes trilhos para agradar a todos, nem para sermos encantados por todos.

No Meco ou em Leiria, houve irresponsabilidade. Uma, por ter finado do modo triste que todos sabemos, na outra pela irresponsabilidade de trazer à baila um assunto que a opinião pública ia olvidando, por muito que os pais, familiares e amigos jamais esqueçam. Mas, se pensarmos com alguma calma, veremos que terminar com tudo, só faria as praxes mais apetecíveis. Estamos a falar de rapazes e raparigas entre os dezoito e vinte e cinco anos, fora de casa, ansiosos por quebrarem regras e viverem os anos mais loucos da sua vida. E isso é geral. Portanto, estou em crer (erradamente, quem sabe) que não é a praxe que fabrica más pessoas, nem seria a inexistência da praxe que aumentaria as boas pessoas. É a educação, ou, extremando, a natureza das relações que cada um vai criando ao longo da vida.

É óbvio que existem coisas na praxe com as quais não me identifico, mas também não me identifico com o Bullying e não vejo ninguém muito preocupado em acabar com o ensino secundário.

Claro que a ideia anterior é ridícula, mas também acho ridículo sermos extremistas em tudo na vida. Passei pela praxe, mas não sou grande fã da praxe. Aqui me declaro, sou mais dado a um jantar de amigos, do que a pôr um rapaz de joelhos a cantar umas músicas repetidas desde há vinte anos, mas isso não faz com que deteste todas as pessoas que nela participam afincadamente. Faz simplesmente com que esteja seguro de mim, ciente de que um caminho ou outro é válido, desde que as pessoas estejam certas da decisão que tomaram. E, se me disserem que aos dezoito anos ninguém é ciente do que decide, eu direi que o caso é mais grave do que a praxe. É nessa idade que se escolhe um curso para vida.

6 thoughts on “As praxes

  1. Infelizmente nem todos têm a desenvoltura do Luís Pedro Nunes a falar sobre o assunto. Este Ricardo Lopes, está com um pé no Céu, outro no Inferno. Ele não quer desagradar a ninguém…

    • Apenas porque não sinto necessidade de desagradar ninguém para estar convicto das minhas ideias, caro(a) tekapa23. Não me escondo por detrás de avatares para exprimir as minhas opiniões. A capacidade, limitada, de acreditar que apenas as ideias extremistas são as grandes ideias é que me revolta. Não são as praxes que fazem as pessoas, são as pessoas que fazem as praxes. E é isso que ninguém quer ver. Mas agrada-me que se tenha dado ao trabalho de comentar o meu texto, sendo ele tão inoperante aos seus olhos.

      Talvez seja romântico, mas agrada-me a ideia de pisar o céu e o inferno. Será sinal que levo um bocadinho de tudo, da vida e da morte.

      Um bem-haja e, uma vez mais, obrigado pela participação.

  2. Já passaram uns dias, mas não posso deixar de dizer que, de facto, quem chega ou quem já lá está, quando chegou, já supostamente recebera educação para distinguir “o bem e o mal” !

    • É precisamente isso que acho. Dezoito anos é uma idade jovem, mas não é uma idade de criança. Ainda se está em formação (como se espera que estejamos toda a vida), mas já temos um nível de discernimento que nos permite distinguir o bem do mal, por isso não acho que seja a praxe que corrompe os jovens. Alguns jovens é que corrompem a praxe, o objectivo primordial dela.

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