O meu pai faz anos

Parabéns, pai

O meu pai faz anos e apetece-me dar-lhe os parabéns, elogiar a pessoa que ele é mesmo nos momentos em que não o compreende, enaltecer-lhe aquele olhar terno que me lança nos momentos em que o faço orgulhar-se, ou apenas a forma meiga como se concentra em mim nos instantes que desejava que eu desse mais.

Apetece-me escrever-lhe mil e uma linhas, dizer-lhe tudo o que guardo no meu coração em relação a ele, mas talvez não o faça nestas linhas. Era fácil e bonito fazê-lo, quem sabe, vocês, que estão desse lado do ecrã, até tivessem uma palavra bonita para mim, dizendo-me que sou um grande filho. Mas não sou, não sou um grande filho nem sou uma grande pessoa. Sou alguém que gosta de escrever, mas guarda demasiadas coisas para a escrita. Vive a vida num limite que nem sempre compreende, acelerado por ansias tantas vezes excessivas, que depois se guarda para estes instantes, solitários e pensativos, para colocar no papel tudo o que sente.

Assim, hoje, no dia de anos do meu pai, um dos meus grandes ídolos, senão o maior, ao invés de escrever-lhe os parabéns, vou escrever promessas. Passarei a dizer mais vezes o que sinto. Isto é o que quero prometer, mas não ao meu pai, nem a vocês, nem a nenhuma pessoa especial, apenas a mim. Devo-o a mim. Tenho que ter mais coragem de não me deixar vencer pelo quotidiano e pelos medos. Se amo, tenho que dizer que amo. Se admiro, tenho que dizer que admiro. Se respeito, tenho que dizer que respeito.

A vida é uma porra em algumas coisas, cala-nos. Vemos o tempo a passar e sentimos que deixámos muitas coisas a meio, notamos que abandonámos batalhas que ainda não estavam findadas e que perdemos demasiadas palavras na bruma dos dias. Eu não quero mais isso.

Não vou ser perfeito, mas vou ser mais sincero. E ser sincero não é ser o rei do mundo, achar-me capaz de dizer tudo sem consequências, é apenas ser o que sou e ter capacidade de revelar muito mais do que sinto. Eu sei que gosto, eu sei que admiro e eu sei que respeito. Não tenho o direito de guardar isso para mim.

Quero continuar a crescer e a lutar. A lutar contra mim e contra os silêncios que a vida doutrina Eu sei que sou melhor do que demonstro e sei que gosto mais do que digo. E isso é o que hoje prometo a mim, vocês e o meu pai são apenas testemunhas.

Este é o texto que te dedico neste dia, pai. Sei que és feliz se eu for feliz, mas também quero que sejas feliz por ti, pela mãe, pelas vossas coisas – como sempre foram. Quero isso para ti, para a mãe e para todas as pessoas de quem gosto. Não quero ninguém dependente de mim, mas quero ser alguém para toda a gente que admiro.

Parabéns, pai! És um grande homem!

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