O Fado das viagens

o fado das viagens

Não tem que ser estranho ser feliz nos pensamentos. É vago, desejamos sempre a materialização do que pensamos, como forma única de alcançar o cume de um qualquer êxtase. Mas, por vezes, em razões que nem nós sabemos explicar, como palavras de médico num bloco de apontamentos, sentimos que nem tudo é assim.

Olhamos a noite e vemos, não ouvimos, vemos, o fado a percutir em todas as pedras da calçada, os navios a navegarem pelos mares, a serem soprados num velejar de que só os portugueses se podem orgulhar, e sentimo-nos felizes. Não materializámos o sonho, mas estamos a viver nele, a passear nele, a imaginá-lo e, nesses instantes, não temos que nos sentir culpados de sermos felizes. O sonho é bom porque, em casos, leva à acção. Mas quando não leva, quando não depende apenas de nós, não tem que ser mau viajar nele.

Temos que existir com os pés no chão, mas também temos que ir atrás do fado que toca nos ares. Ele não existe, é só uma especulação da nossa cabeça, mas já diziam os antigos, antigos mesmo, que o destino não é o fruto, é a viagem. E eu estou a viajar. Sempre. Umas vezes sorrio, outras choro. Mas viajo, viajo sempre. Sem sair de casa, consigo percorrer tantos caminhos, tantos corpos, tantas sensações, quanto desejo.

Não devemos viver na ilusão, mas também não podemos permitir que a realidade nos apague o candelabro dos sonhos. A candura depende de nós. O respeito também.

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