Tempo

Ficam. Simplesmente ficam, perpetuam-se no pensamento como omnipresenças do nosso inconsciente, que se veste de consciente.

Ficam e vão ficando. Trazem culpas e remorsos, coisas que se pretendiam fazer diferentes e não se fizeram, coisas que eram para ter sido feitas e não foram, coisas que se fizeram e se repetiriam vezes sem conta, coisas que se guardam e coisas que se vão.

Vive ali, naquele cantinho pequenino que cresce dia após dia, como uma flor na primavera ou um musgo no inverno. Cresce e isso é que é importante, é que é a natureza. Os erros ensinam e fazem crescer, as vitórias inebriam e fazem não ter vontade de parar. As coisas acontecem, vão acontecendo, o coração palpita e a cabeça agita-se, experimenta-se as angústias e ansiedades, passa-se pela exigência de viver e sorri-se, soltam-se os lábios ao céu e bafeja-se tudo o que se sente, a alegria inebriante de pequenas coisas, a esperança tonta que é um sopro de vento a abanar uma planta, a desenhar na corrente de um rio ou a acariciar o rosto. São os anos a passar, os dias, as horas, ou os segundos. É a cabeça a funcionar e o coração a bater.

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