O tempo que passa

No rádio toca Radiohead, sopra pelos ouvidos como timbres afinados de um pássaro que chilreia no jardim posto na vastidão do olhar. A cadeira balouça, frente e trás, frente e trás, parece monótono, no entanto, naquela idade adulta de quem já nada sabe o que faz, só movido pelas rotinas, parece uma agitação sem par. Para a cadeira, bloqueia o olhar no verde que semeia a planície, e pensa no tanto que queria ter feito. Podia ter feito.

A vida são dois dias, pensa e reflecte. Dois dias, tão pouco, tão curto, tão aquém. Valha-nos que a cada dois dias podemos criar mais dois e mais dois, e assim sucessivamente. Já gastou muitos pares de dias, mas nunca é tarde. Pode parecer tarde, parece sempre, mas raramente é. O relógio do mundo compassa-se à velocidade de cada um. E cada um é dono do seu tempo. Pode ser tarde ou não, a decisão a nós cabe. Sentados na cadeira de balouço.

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