O miúdo Jesus

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Estive a tentar controlar-me e não consegui. Jesus, no panorama nacional e mesmo internacional, é  dos treinadores que melhor percebe o jogo. É de uma inteligência que  não é fácil encontrar par. Pensa o jogo como um todo e divide-o, encaixando-o em diferentes fases. Tem a capacidade de passar essa mensagem aos jogadores e enriquecer tacticamente diabos como o Coentrão, o Gaitan ou o Markovic. Ainda fazer jogadores como o Matic e o Javi Garcia, para depois reorganizar a equipa para outros que os substituem. É um excelente treinador, que peca por ter a cabeça de um craque de 20 anos.

 

O Jesus não é parvo por falar mau português, é parvo por não querer corrigir esse português, como tudo o restante. Ele não era tão mau como se  pintou no fim do ano passado nem é tão bom como se pinta nos meses a meio da  época, quando o Benfica é sempre das melhores equipas a jogar futebol na Europa. Ele  é uma cabeça de jogador, na pele de um dos melhores treinadores. E isso é que, normalmente, deita tudo por terra. A ansiedade dele, a cagança, nas pontas finais é que deita tudo a perder. O Benfica não desaprende, os jogadores não ficam mais fracos, ele é que embandeira e eles vão atrás. Ontem, mais uma vez, ele demonstrou-o.

 

Uma equipa grande não se faz só pela qualidade, faz-se pela forma de estar. E é aí, como no português, que ele falha. É um treinador fabuloso, com uma capacidade de fazer saltar as individualidades da base colectiva, mas que se comporta como um miúdo rebelde. E um treinador pode e deve ser rebelde, já no que toca a miúdo a história é outra.

 

Por isso, digo, contra os tantos que me criticarão, que quando o Jesus deixar de ser um miúdo e se tornar um homem, será dos melhores do mundo. A organização defensiva é sublime, o espírito de entreajuda e colectivo, as transições são das melhores do mundo, e o carrossel da frente, sempre com linhas de passe, é complicadíssimo para as defesas. Mas ele é mais vulnerável que o Gaitan do primeiro ano e isso é que complica as coisas. Fosse ele diferente e poderia ter ganho tudo, sempre, desde que chegou ao Benfica. É o quinto ano consecutivo que está nos quartos de final de umas competições europeias, como uma eliminação nas meias-finais e um final perdida. Um campeonato ganho com nota artística ao máximo e dois campeonatos perdidos na ponta final, por culpa própria. A qualidade sempre esteve lá, a cabeça é que não. Por isso, alguém lá dentro, com a cabeça no sítio, que tenha a coragem de lhe dizer: tu és grande Jesus, mas não és maior que a humildade.

Por fim, uma palavra aos jogadores, incansáveis, obreiros, humildes e talentosíssimos que ontem pisaram White Hart Lane, bem como aos adeptos arrepiantes que ecoaram o nome do Benfica como um bafo de vento que nos arrepia da cabeça aos pés. O Benfica é isto, não os gestos do Jesus.

 

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