Vou ou fico?

AVIAO-TAP

O vento sopra, as asas de metal

Abrem-se como linces do ar,

O avião parte, dissipa-se,

E eles ainda se vão a recordar.

 

São dias rápidos, fugidios

Como uma corrente húmida,

Em que se vão as histórias

E  fica a dúvida.

 

Estarei eu bem aqui?

Não deveria eu pegar naquele avião

E ir para França ou, sei lá,

Qualquer outra nação?

 

São anos de luta, com mesas cheias

Que agora vejo vazias,

Sem amigos tantos, conhecidos,

Que foram sem heresias.

 

Não lhes olho a desgraça,

Por muito que lhes conheça a dor.

Não quero esse apogeu de coitadinho,

Quando por eles tenho é respeito e amor.

 

Estão fora, longe, em vidas diferentes,

Mas a ganhar o que aqui não encontro

Em horas e horas de expedientes,

Com miséria, sem confronto.

 

Não resvalo nas lamentações da partida,

Para gáudio dos maldizentes,

Que não lhes vêem dor, esquecendo

Que cá há família e outras gentes.

 

Pergunto-me. Estarei certo?

Valerá este luta num país sem chama,

Que se tombou na crise,

Ainda que com tanta gente que o ama?

 

Não sei as respostas e disponho-me ao trabalho,

Laboro com o afinco de quem crê

Que a dedicação há-de ser sempre recompensada,

Dê para onde dê.

 

A vocês, que foram,

Digo que aqui há um amigo,

Sem plural, só com um:

estou sempre contigo.

 

Ral

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