Sol nos pés e na janela

Oh meu sol, que estouras nas janelas do escritório como bombas na Síria dos Carnavais, que saudades te tinha. Vens sempre vestido de laranja e amarelo sem nunca trajares a parolice de um emigrante de colares de ouro, que pretende mostrar a riqueza que não tem. Usas esses traços rectos, num mundo que aprecia é as curvas, e mesmo assim és abonado pela felícia de te quererem sempre, mais e mais. Deixas saudades quando partes, alegras quando chegas e apaixonas enquanto vais ficando. És sol e queimas, derretes as peles de branco cal, escaldas as de moreno de piscina de cremes, mas mesmo assim ninguém te reclama. És só defeitos e virtudes, alegrias e apoquentações. És o que és, Sol. E a mais não és obrigado.

Mas, agora que chegaste, deixa-me dizer-te que mais que ansiar-te, anseio pelas micoses que me vão furar o feed. Uns pés mais trabalhados no Photoshop, escondendo as calosidades e endireitando o dedo que foge para Este; outros sem tratamento algum, a mostrar a areia que fica presa nas marcas das meias que teimam em não sair. Ai que inveja, vão eles comentar. Eu dos pés não terei, por muito que os meus se entortem como troncos, das areias talvez, do mar enfim e de ti, meu sol, não deixarei de te ver, pela janela do escritório que me iluminará o dia como o flash de um smartphone apagará o convívio na toalha.

Contudo, não era nada disto que te queria dizer, era mais simples. Era só assim: fico feliz que tenhas chegado!

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