Ai, este inverno achacado à gripe!

Não há memória de coisa assim, nos meus vinte e seis anos. Este inverno está doente, com forte obstrução nasal nas margens dos rios, com o pingo do nariz sempre a saltar do mar, com tosse forte em modo de trovão, com febres violentas de vento. Este inverno está a precisar de cuidados.

A cama mais quente do habitualmente, aconchegante. A espessura de lençóis e cobertores era a mesma de sempre, mas a luz a fugir como uma serpente, o vento a bater-me no estore como o menino de quem fugia no jogo da apanhada, a chuva a fazer tanto ruído como um autoclismo em casa de madrugada. Os passos de deus notavam-se no meu telhado, e eu até moro longe da praia.

A minha cama era a mesma, mas estava mais quente do que o costume. Protegia-me mais. Os cobertores viraram paredões, enquanto os olhos não cerravam e o corpo pausava numa sonolência que negasse ao inverno doente que me batia à porta e a quem eu não queria abrir.

Que deus, como bom pai que se diz, dê a este inverno uns ilvicos. Poupam-se as gentes e as cidades.

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