No Meco não era só praxe, percebam.

XPQUQowXX239035pNpAsNJhx9ZKUVivemos, normalmente, uma vidinha tão desinteressante, tão acelerada quanto um filme em pause.

As redes sociais, a mim me culpo, são um laboratório que necessita de histórias para misturar com opiniões e criar experiências explosivas. Algumas, digamos, oscilações nas nossas vidinhas, tristonhas e arreliantes. Qualquer fenómeno descontextualizado do costumeiro é um alarido. A saia da assessora do Cavaco, infeliz, fez esquecer que a mulher possa ser uma boa profissional – por muito que tenha dúvidas de qualquer qualidade num assessor do Cavaco e, notem, não por causa das saias. Mas mais do que isso, há insinuações e processos sumários a esvaziarem-se pelas redes sociais como rios pelos trilhos das montanhas.

Até aqui era o luto, agora é a luta de praxe e anti-praxe. Não me coloco em posição de assumir se houve ou não praxe, por muito que acredite que tenha havido. O que me parece descabido, conforme já havia dito, é que se continue a discutir tudo isso, nos fóruns de comentários, como se aqueles rapazes e raparigas, coitados, morreram, mas o caso é maior e nem interessa muito falar deles, são detalhes, figurantes do filme maior que rola na vitrine da vida. Depois, nos chicos-espertismos de defesa e ataque, lá aparece um defensor da praxe a dizer que a culpa foi dos pais que os deixaram ir, maldita seja a desgraça da inconsciência, ou então, do lado oposto, em cada trajado estúpido está um reflexo do país inteiro, bendita generalização.

Passei pelas praxes, fi-las, mais ou menos súbdito, mas nem por isso me interessei muito por elas. Não sou a favor nem contra, tiro um bocadinho de tudo. Borrei-me em ovos, ouvi palavrões e, a seguir, fui para um jantar, entornei uns canecos e socializei, conforme me apraz, com vários amigos. Sei, porém, que em alguns sítios as praxes passam o limite. No entanto, isso é irrelevante para definir um todo. Os recibos verdes também eram bons, alguns oportunistas é que os desvirtuaram. A liberdade de escolha deve existir – e existe -, porém, conforme sabemos, na juventude, sair da manada é assinar uma sentença de “betismo” ou de fim de vida social. Ou seja, será que o que devemos discutir as praxes ou os valores enraizados na sociedade, nomeadamente jovem?

Ao fim ao cabo, só queria dizer que a discussão é muito maior que abolição de praxe. Deixem-na lá, onde está, preocupem-se mais é com a capacidade que os jovens têm, ou não têm, de tomar decisões, gerir a sua liberdade, sem temerem a rejeição. O bullying acontece pelo mau de alguns, mas, também, pela falta de informação dos pais em relação a isso, pela incapacidade de preparar filhos para serem aptos a decidir, a saber que cada caminho que se escolhe é um que se deixa para trás. Isto não é uma crítica, é uma opinião.

E no fim, respeitem isto tudo que se passa. O que é que interessa defender e atacar a praxe, quando ali, naquela praia, só estavam alguns, poucos, e que morreram?

A ser verdade que foi praxe, só se define a certeza de que um Dux era parvo, inconsciente, e possivelmente os outros, os que tristemente nunca mais cá estarão, também não tiveram a coragem de decidir por outro caminho, ou seriam iguais ao que estava seguro da areia. Não sabemos. E essa é que é a resposta: não sabemos, porra.

2 thoughts on “No Meco não era só praxe, percebam.

    • No caso do Meco, não ficamos em ponto algum, com especulações, só a polícia poderá chegar a conclusões.
      Quanto ao restante, ficamos no ponto em que existem praxes mal feitas, estúpidas, desumanas, porque existem pessoas mal-formadas que se conseguem elevar até ao ponto de as coordenar. Em outras áreas não existirá situações semelhantes, sem tanta visibilidade?
      O problema da praxe é o mesmo de muitas áreas da sociedade. Valores desvirtuados, pessoas mal-formadas, vulnerabilidade na hora de escolher.
      Não sou a favor nem contra a praxe, repúdio são valores que se incutem na sociedade – na qual, obviamente, englobo a praxe.
      Cumprimentos,
      Ricardo Lopes

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