É preciso saber ser grande

FUTEBOLNão é momento de enveredar por polémicas, mais quando elas se fundamentam em lacunas de personalidades desconexas.

Das maiores desgraças que podemos ter na nossa vida é a incapacidade de aprender, de sorver de cada um dos que nos rodeia a excelência das suas áreas. Sempre cientes de que não existem áreas menores, existem, sim, áreas diferentes.

Ricardo Araújo Pereira é reconhecido pela sua erudição e, isso, não o impede de ser um apaixonado pelo futebol. Miguel Sousa Tavares é dos maiores críticos políticos portugueses, se não o maior e mais controverso, paralelizando com a sua carreira de escritor, e é doente pelo futebol. Rogério Alves é dos mais renomados advogados portugueses e um dirigente desportivo, sem desprimor por isso.

A excelência – e ensinamentos – passa-se com a paixão e dedicação que temos a uma área, por muito que sacrifiquemos outras, em prol disso. É verdade que o léxico do Eusébio não era dos mais alargados, que não falava de cultura com arrojo, mas era santíssimo quando abordava o futebol, provocando vénias nos mais diversos sectores – do político ao bairrista.

Assim, o que um senhor, de nome Mário Soares, deveria compreender é que a maior erudição de Eusébio foi a forma como glorificou um país, aliás dois, sendo encantador e conquistador, sem nunca esquecer os tantos a quem o devia. E, se calhar, nem eram tantos assim, ele é que os engrandeceu. Mas a sua humanidade e humildade não lhe permitiam ver dessa forma egoísta.

Por isso, caro Mário Soares, tendo ele pouca cultura e não sendo um pensador, até bebendo whisky de manhã, ele deu das maiores lições que deveria ter guardado. Sozinhos não somos ninguém. E você para lá caminha, para a solidão e descredibilização, com a certeza que todos, para si, estão num patamar inferior. Mas não estão. E ele, o grande, jamais esteve abaixo de si, por muito que não soubesse a absoluta locução do português e até gostasse de um whisky.

Os grandes só são grandes quando sabem ser grandes toda uma vida. E o Eusébio, até na hora da morte soube ser grande, por dois dias antes ter procurado o João Malheiro para pedir, por favor, um jantar com Artur Jorge, esta semana, para lhe dar um abraço e força por não ter estado no funeral da sua filha. Sem forças para ele, queria, por tudo, dar forças a outros. E isto é ser grande, percebe, caro Mário Soares?

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