Sonhos de sempre

Com o ano velho terminado e o novo principiado, com mais umas pequenas férias maravilhosas guardadas no fulcro do meu coração, regresso às rotinas. Amanhã há trabalho de novo, por hoje há um dos prazeres de sempre, sonhando com o momento que possa ser mais do que isso, mais do que um sonho.

“Vi a minha mãe chegar-se pelo exíguo corredor, transpondo as carpetes que tantas vezes o meu pai pisara, dobrando as esquinas das fotos nossas, calcando o chão que também fora dele e, pela primeira vez, soltei todas as minhas lágrimas. Sem mais capacidade de ser o adulto que todos ansiavam que fosse, que todos pediam que parecesse, deixei-me cair num aperto como ainda não tinha sentido. Não conseguia falar, tinha dificuldade em respirar, o peito apertava-se muito, claustrofobia por todo o meu corpo, as pernas e braços a tremerem, o coração a doer, as palavras a prenderem-se, as lágrimas a soltarem-se mais e mais. E a minha mãe correu, aflita e sincera, para ao pé de mim. Na janela entre a sala e a cozinha, por onde eu olhava o dia de despedida do meu pai que nascia na França, ela baixou-se e puxou-me para ela, pôs-me encostado, agarrou as minhas lágrimas no vestido negro.”

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