Natal à porta e professores na prova!

O Natal já nasceu no olhar das pessoas, já se faz sentir nas luzes aconchegantes das noites frias e na azáfama dos shoppings sem sítio para estacionar, sem passadeiras livres para se subir de piso sem ser enlatado, na fúria da última prenda. Mas e o resto?

Estive ontem a ver a prova dos professores e porra. Desculpem-me, mas porra! Já todos sabem, não é novidade para ninguém, que defendo a classe em muitas das coisas, por sentir o exagero de penalizações que se faz a todas as áreas, nomeadamente áreas que servem o futuro do nosso país, mas destaco sempre esta classe pelo tipo de política que tem sido feita, pela forma como uma governação tenta colocar uma população contra uma classe que garante o futuro dos nossos filhos. Ver um político do governo dizer que os pais se deveriam preocupar de entregar os filhos a pessoas que fazem manifestações daquelas deverá ter sido o cúmulo disso, contudo muito mais tem sido feito, com o excelentíssimo Nuno Crato na proa.

Ver a prova feita para os professores, fez-me pensar numa ficha minha de estudo do meio na primária. Na minha opinião, falamos de um insulto à inteligência de pessoas que preparam aulas em casa, que lidam com crianças de várias idades, todas diferentes, incutindo-lhe matérias específicas e ainda completando a importante parte de educação que as horas do dia, de trabalho, não permitem aos pais darem.

Eu não sou a favor de cortes cegos em parte nenhuma e não sou contra avaliações do que quer que seja, sou, sim, contra medidas que servem interesses de corte, que servem a vontade de escorraçar pessoas dos concursos públicos, privados ou do que for. Quando se diminuem os quadros, aumentam-se os alunos por turma, cortam-se as bolsas, aumentam-se as propinas e os impostos, ainda têm coragem de dizer, com as letras todas, que os professores estão a destruir a escola pública?

Repugna-me a campanha que um governo, um ministro cego de autoritarismo, faz contra as pessoas que servem o interesse do futuro, a cultura que pode fazer renascer este país que está a cair no fosso. Não suporto chantagens e este governo vive de chantagens, com pessoas a deixarem-se levar nesse silabar.

Aos olhos de muitos, a resposta a isto é que se se corta aos outros, que se corte ao professores. E que se avalie. Pois, eu pergunto, sendo o país dominado por um círculo político, como avaliamos nós a qualidade deles? No dia de voto? Eles sabotam isso com coligações que dão maioria, eles encobrem coisas com outras coisas, eles fazem e desfazem, e nós conseguimos estar do lado deles numa luta contra os professores, que é mais do que isso, que é uma luta contra o futuro deste país?

Não sou filho de professores nem sou professor, até tive vários problemas de disciplina no meu percurso académico, mas se há coisa que não sou é ingrato. Se hoje me considero minimamente culto, devo-o aos professores que me deram ferramentas para isso. Uns foram melhores e outros piores, eu próprio fui melhor com uns do que com outros, mas no geral todos me deixaram algo do que sou hoje. E sou grato a eles, como a médicos que me curaram doenças, enfermeiros que me cuidaram em momentos de dor, polícias que me defenderam em momentos importantes, empregados fabris que são meus pais e amigos, familiares, pasteleiros que me fizeram o pequeno-almoço, motoristas que me levaram às aulas, varredores que me deixaram a cidade limpa, em poucas horas, após dias de festa. E tantos, tantos outros.

Mas o facto de ver os cortes que são feitos em todas as áreas, não me permite aceitar que, por isso, a equidade seja cega com todos. Isso, na verdade, é o que esta política e, essencialmente, estes políticos querem. Mas eu não vou ser do rebanho, nesta questão dos professores, por muito que saiba que muitos os acham favorecidos. Eu não acho.
Acho que existem áreas que deveriam ser imaculadas, como seres divinos. E essas áreas eram as do ensino, a saúde e a justiça. Um país poderá ser muito rico, mas sem conhecimento, saúde e com impunidade, jamais será um país habitável. E esta é a minha mensagem de natal, a vergonha de pertencer a um grupo de pessoas que não dá valor, a quem nos deu o valor de hoje sermos, em parte, o que somos. Tenho pena.

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