Um Governo calado!

Jose Socrates meets PSD

A errada política de comunicação do Governo está a ser, agora, um motivo de alarme para eles.

Desde o início, este Governo optou pela difusão de notícias complicadas em horas de confusão, como jogos de futebol ou outros eventos relacionados, que afastavam o interesse das pessoas para outros locais. As próprias notícias boas foram difundidas de forma errada, coladas a outras más – na tentativa disparatada de compensar umas com as outras -, ou soltas com excessivo entusiasmo, que em nada se coaduna com o estado anímico da população – como foi o caso do Ministro da Economia, Pires de Lima, há poucos dias, quando afirmou que não deveríamos entrar em euforia com os indicadores económicos.

Qualquer empresa, por melhor que seja, está, sobremaneira, dependente da sua comunicação para o bom-porto das suas acções e intentos. Por exemplo, uma empresa fabricante de relógios, que tem o melhor produto do mercado, a melhor máquina, a melhor relação preço/qualidade, mas que não consegue fazer chegar essa mensagem ao seu possível consumidor, está condenada ao encerramento.

Não basta sermos bons, necessitamos saber informá-lo, fazer chegar essa mensagem, sem obrigatoriamente o dizermos – ao menos, pelas palavras todas. Se isto é verdade numa empresa de relógios, imagine-se num Governo que está numa situação como esta, em que chegam pressões externas e lembranças de dívidas a serem pagas.

Outro exemplo, que pode ser dado, é referente à comunicação interna. Um patrão, digamos chefe de obras, que diga a um dos seus funcionários: “anda, põe esse tijolo, que é para isso que te pago”; dificilmente conseguirá uma resposta positiva, ao nível de motivação e entrega ao trabalho. Porém, se o mesmo patrão, com o mesmo funcionário, lhe disser: “ajudas-me a construir este prédio?” Possivelmente, terá uma resposta mais positiva, para a mesma tarefa.

As pessoas vivem de motivação e para se motivarem necessitam saber em que projecto estão envolvidas, qual a sua função exacta nisso. A distância, o alheamento de quem as coordena, em nada abona a favor da produção ou da entrega ao labor. Num Governo, funciona de igual modo. A opção pelo distanciamento do povo, pela falta de respostas concisas ao que connosco sucede, a bem de uma governação que refere como fundamental, mas que é incapaz de especificar em detalhe – e com linguagem escorreita – esse fundamentalismo, condena-o ao que agora sucede nos ministérios, ao que sucedeu na Assembleia e ao que continuará a suceder nas próximas manifestações. O silêncio só é proveitoso quando a acção fala por si. O que, como é óbvio, não é o caso.

Não basta pedirem-nos que empobreçamos, é necessário apresentar planos para o futuro do país. É necessário falar connosco, é necessário compreender que a realidade do país não é mesma das folhas de Excel, que um dez no Orçamento do Estado são pessoas, são famílias, são crianças. Falassem connosco, caramba! Só se lembram de nós na hora de dizer: está feito, é este o Orçamento! E, depois, claro, as pessoas revoltam-se e a vossa paz é ameaçada. Mas, notem, aí, nessa hora, podem prometer mundos e fundos, que já nada será aceite.

Complicaram a nossa vida, como sempre, mas também complicaram a vossa, e de que maneira. Agora, safem-se!

Ral

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