Portugal – Angola

Faz de conta que eu, Portugal, sou um catraio de escola primária, a brincar à bola no campo de terra batida.

Atirei-me com tudo e fiz um raspão na canela do outro menino, do menino que veio de fora com os pais, mas que agora eles ganham muito dinheiro. Ele era meio caladito e eu fazia-lhe companhia, agora, como todos o querem ao lado, ele fala-me mal.

Não lhe acertei na canela de propósito, foi sem querer. Só queria jogar a bola com justiça. Não deu e acertei. Ele, como é claro, ficou bravo. E eu, ao invés de calar-me, por ser coisa que faz parte do jogo, pus-me cheio de desculpas.
Resultado? Ele, para se armar para os amigos novos, fala quezilento de mim, fala com desdém. Faz aquelas coisas do quem diz é quem é.

E assim estamos, eu, Portugal, e ele, Angola. Eu é que o descobri, ele é que tem o dinheiro e os amigos novos.

Vai ganhar ele, acho. O dinheiro ganha sempre.

Ral
http://www.bubok.pt/livros/6257/Realidades

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