Obrigado é o que tenho para dizer. Muito obrigado.

Fazer anos só é bom quando não fazemos sozinhos, quando temos com quem partilhar um festejo antagónico de mais um ano que passou. Feliz das boas aventuranças que a vivência trouxe, da partilha de alegria e amor, de tristeza e complicação que nos foi possível, da certeza que regámos mais trezentos e sessenta e cinco dias com água divina, com água da juventude eterna. Por outro lado, mais um ano é mais um passo para o fim. Isso assusta-me, por muito que ainda tenha apenas vinte e seis anos. Fresquinhos, feitos há poucos dias.

Viver é uma amálgama. No meu caso, é uma insatisfação constante. Se tenho um globo a girar, um oceano a encher-se como um tanque em dia de chuva, quero mais, quero que o globo gire mais, que o tanque se encha mais e mais. Se tenho um dia de globo parado, de tanque vazio, consigo olhar os dias em que se moveu e encheu, os dias mais felizes. De certa maneira, sou uma pessoa estranha. Uma pessoa estranha e feliz.

No dia dos meus anos, a minha namorada inventou-me uma festa surpresa a dois, em pleno andamento do mundo. Soprei as velas, quando pensei que isso já não era coisa para ser feita naquela altura. Agradeço-lhe o especial, não somente o especial dela, o especial global. O especial que ela é, o especial que ela entrega às coisas, o especial que ela me faz ser. Aos meus pais, devo a vida. E a vida não é só respirar, é mais. É ser feliz, saber que sou feliz, e querer ser mais feliz. Na empresa, soprei também velas. Olhei pessoas que há quase quatro anos não eram ninguém na minha vida, eram vultos distantes da luz dos meus dias, mas que agora são quase família. Não lhes partilho as minhas agonias, não lhes vou espalhar as minhas alegrias, contudo fazem parte da família, são pessoas que tocam os meus dias com a certeza que sou muito tendo-os por perto. Fizeram-me ser parte do que sou no profissional que escolhi para a minha vida. A sensação de entrar para um escritório a saber que se fosse para o meio do armazém seria tratado da mesma forma é única, é boa para ser quem sou. À noite, nesse dia quinze, chegaram-se amigos. Partilhei a mesa, café e minis. Esqueci que fazia anos e tive conversas do dia, o melhor que posso pedir num dia que não gosto particularmente de ser o centro de tudo. Não gosto que tenha que ser especial, pois seria o atestado que todos os outros não são. Assim, quando vos digo que o aniversário foi normal, não se assustem, isso é bom.

Depois, que é o mesmo que este sábado, chegou a festa. O jantar de aniversário partilhado com mais um amigo de parabéns e com outra que parte à aventura do mundo para ter os direitos que cá lhe roubam. Foi maravilhoso. Não precisei de ninguém em especial, precisei de todos, da miscelânea de pessoas que compuseram uma sala, que fizeram de um restaurante amigo um sítio de culto da amizade. Não tenho melhores amigos, tenho amigos. Em cada momento, há um amigo que é o melhor. Hoje é o A, amanhã é o B, mas, certamente, depois também será o C. isso é a melhor bênção que possuo. É uma alegria imensa, que agora me escorre por estas linhas.

Fui feliz no dia quinze e fui feliz no sábado. Mas não fui feliz por terem estado lá, amigos e namorada, pais e colegas, conhecidos e família. Fui feliz por saberem que estiveram lá nestes dois dias e que vão estar aqui sempre. Hoje, amanhã, depois, e enquanto o ser divino, o que me controla o mecanismo dos órgãos, me permitir continuar a fazer anos.
Quero festas, claro que quero, mas mais do que festas quero os amigos que sempre tive. Eles são especiais e nem estão a ler estas palavras, canso-os com tantos textos que para aqui disparo, mas também não preciso que eles leiam isto. Direi sempre, sem vergonha, individualmente: gosto de ti pa caralho.

O termo não é bonito, é bruto, mas o coração é mole, é intraduzível. É agradecido!

Ral
http://www.bubok.pt/livros/6257/Realidades

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