Chuva molha-tolos

2013-10-13 11.01.09

 

Veio do cimo do céu uma chuva
Que a manhã brilhante não previa.
Vem turva, pouca certa da sua vontade,
Caindo a espaços nesta praia de areia ruiva.

Nos moldes do mundo, a chuva é invernal,
Feita de papel de jornal,
Trabalhada como um mal
Que nos prende numa rotina do habitual.

Olho-a aqui, mesmo ao meu lado,
Neste bar todo envidraçado,
Que me regaça nas suas vitrinas, me aperta no seu conforto,
E me deixa as gotas baterem à distância de um palmo.

Penso que vou fazer caminho para casa,
Que me vou deixar de estar de computador aberto
Nestas mesas simpáticas e conversadoras,
Que me encheram de ideias,
Enquanto a minha princesa se trabalha.

Sim, penso que vou.
Chegou-se-me a hora de abalar,
De sair de rompante por entre a chuva que não me molha,
Que dizem os antigos, é miudinha, só molha-tolos.

Ral

http://www.bubok.pt/livros/6257/Realidades

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