Preço das inimizades

Vens-me ao rumo dos olhos
E depois abalas na várzea da água,
Que te debanda em açougues de folhos,
Mas que a mim na recordação flutua.

És mais que uma mera memória,
És uma certeza, uma vénia do passado,
Que me define uma trajectória.
Não sou o que fui, contudo sou também o que havia desmemoriado.

Ficaste-te por aqui, no seio
De mim e de ti, como se aquele nosso passeio
Fosse muito mais que um dia normal,
Do que um ensejo usual.

Não te marcaste pela água que deslizava no rio,
Ou pela lembrança que podia criar contigo,
Decidiste que querias ser mais do que isso,
Que necessitavas de fazer aquele golpe preciso.

Atiraste-me a faca, pegaste no dinheiro,
Porém, sem pensar que eu podia reagir primeiro
E sair de perto de ti, como vencedor,
Como, no fundo, o maior conquistador.

A ti, valia a fortuna,
A mim, valiam as folhas que deslizavam no vento
Do céu, no caminho que fazia de ti réu.
Era o dinheiro? Pedisses,
Não necessitavas dessas mesquinhices,
Que fizeram de ti só,
Fugitivo e triste que dá dó.

As amizades enchem barriga,
Acolhem sóis e abrigam tempestades,
O dinheiro traz por tudo inverdades.

A escolha era tua,
Fizeste-a e eu venci.
Fiquei bem sem ti.

Ral
http://www.bubok.pt/livros/6257/Realidades

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