Atravessar a vida

chuva, passada, jornada, vontade

Estridente barulho que fura
No interlúdio do meu olhar,
Como varas espetadas na minha fundura,
Sem me acalmarem nem melhorar.

Marcha lesta pelas arcadas
Das casas desusadas, antigas.
Porém, também pelas novas e estradas,
Pelos campos, planaltos e, até, jazigos.

Não olha a meios no seu tombo,
Pum, fazendo barulho, ruído,
Tornando-se, nas vidas, estorvo.
Ao acaso, um homem abrigado e aturdido.

De um lado tem um regueirão,
Estacionado ao centro da calçada;
Do outro, um dilúvio, uma ressurreição
Do deus da trovoada.

Aprecio-o da janela nublada,
Do meu recanto aquecido, do meu escritório.
Porquanto, ele principia a sua passada,
Rumo ao outro lado. Invejo-o. É destemido, peremptório.

Não há chuva que acalme a pernada
De um homem que segue o seu rumo,
Alentado e memoriado da jornada
Que o faz levar todo aquele, indiferente, aprumo.

Ral
http://www.bubok.pt/livros/6257/Realidades

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