Espelho de mim

reflexo, água, nós, outros

Sou como um sopro de água, um charco de luz,
Olho os outros e é a minha imagem que reluz.
Surge de lá uma revivescência de mim,
Como se todos os outros fossem assim.

Receamos dos próximos os erros que são nossos,
Ideamos que, errando, os demais nos deixarão pesarosos.
Não é fácil identificar as maneiras diferentes de ser,
Findamos sempre a cogitar que com os outros é igual a forma de acontecer.

Posso amar muito e não reconhecer os meus erros,
Tapá-los com uma peneira, escondê-los nos morros,
Pois, assim, terei sempre maneira de o outro ser pior.
Olhá-lo e dizer: podias ter feito melhor.

O nosso reflexo, a nossa experiência e vivência,
É o retrato que dos próximos fazemos, por insistência,
Como se todos se amassem igual, como se todos errassem igual,
Como se todos acontecessem na vida de forma idêntica, para o bem e mal.

Somos um transporte de nós para além,
Para todos os que queremos bem,
Mas não distinguimos o isto do aquilo, o eu do diferente,
Porque quando somos nós lá, parece sempre parcamente.

Ral
http://www.bubok.pt/livros/6257/Realidades

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