Um país de nómadas

nomadas, verão, inverno, pessoas

O Verão inunda as estâncias de pessoas, coloca-as vagamente perdidas, no meio de multidões sedentas de tudo o que nove meses não oferecem. Desligamento, apartamento das responsabilidades e melancolias.

O Inverno pervaga-se como a sentença do pensamento, como a cogitação absoluta do antes e do depois, do agora e do a seguir. A chuva no estore serve para pensar em tudo; a impossibilidade de sentar na esplanada apraz a falta de alegria. Não é bonito ser muito alegre no Inverno, pois destoa da taciturnidade dominante.

No Verão parece mal é estar triste. Anima-te, é Verão! Vais estar com essa cara com o sol que está lá fora? Anda-te embora para a praia!

As cidades de praia abarrotam-se de gente e perguntam-se como existem pessoas que aguentam viver nesta fase longe da praia. As cidades escondidas são desertas, estão longe do mar e não fazem sentido no Verão. No Inverno, a Nazaré passa das 80 mil pessoas que habitam a zona de praia, para as 8 mil que lá ficam no ano todo. O Algarve não sei números, mas assusta e fica desprovido de alma e indivíduos. É uma zona de Verão, exclusivamente de Verão. O inglês desaparece, o espanhol é fugidio e o francês deixa de existir.

Como nos chamam um país de sedentários? No Verão é praia, no Inverno é longe da praia. Vivemos de mochila às costas!

Ral
http://www.bubok.pt/livros/6257/Realidades

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