Desgoverno

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Não importa pensar em filiações partidárias, em afeições ideológicas, ou ideias políticas pré-concebidas, tudo está na mesma.

Esta última semana da política em Portugal mostrou o estado das coisas, no fundo, o desgoverno da política e o desalento da população. Não se ouviram vozes de reclamação, pedidos incessantes de coerência e consciência, chacotas ferozes a um presidente que sobe precipícios mas não é capaz de se impor e bater com as portas, com o punho na mesa. Ter o Cavaco é, afinal, o mesmo que não ter. Poderia, por exemplo, tomar eu o seu lugar. Decisões políticas são poucas e a subir penhascos de ilhas selvagens talvez fosse mais rápido. A falar, quem sabe, fizesse melhor figura. Digo isto porque também não falaria de política e parece-me que o meu sentido de humor é mais apurado que o dele.

Afirmar que é isto que quer, dizer com as letras todas que o país precisa de estar em primeiro lugar e depois voltar ao mesmo é um tiro no próprio pé, a meu ver. Não estou a dizer que o melhor é a mudança, que são as eleições antecipadas, ou o que for, estou somente a dizer que ele ridicularizou, ainda mais, a sua posição. Quer dizer, asseverar que algo não está bem e, por isso, é necessário um acordo. Quando o acordo não surge, para não se chatear mais, diz que o melhor é continuar como está. Na verdade, foi um político mais inteligente que o que eu fiz acreditar nas linhas anteriores. Defendeu os seus, pois claro. Pedir aos opostos para se unirem é o mesmo que pedir à chuva que se dê bem com o sol. Logo, à partida, já percebia que estava a dar o aval de continuidade, ao governo do seu partido. No entretanto, veio enviar ao país uma posta, fazer parecer que estava preocupado, para depois ir passear nas ilhas selvagens e regressar para avisar que afinal o melhor é continuar como está, pois o governo, ao ter batido o pé ao PS, mostrou estabilidade.

A constância é boa quando estamos no auge, quando andamos na amargura não é tão boa assim. E não estou a falar de política, estou a falar de toda uma classe política, de pessoas formatadas pela sede de poder. É triste.

Ral
http://www.bubok.pt/livros/6257/Realidades

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