Portugal, um departamento de recriação

cavaco silva, associativismo, política, recriar

Ontem, não tive possibilidade assistir in loco à intervenção do nosso PR. Infelizmente, não tive. Teria sido um serão bem mais animado, disso não duvido – consigo sempre rir, com desespero, cada vez que ele intervém.

Comecei o dia afoito, a catar por entre jornais a maior veracidade das palavras do nosso Cavaco. Surpreendeu. Aliás, surpreendeu em parte. Conseguiu fugir ao que se esperava que ele fizesse, o que revela a surpresa, no entanto não demorou a voltar à previsibilidade: complicou ainda mais, o que já estava complicado per si.

Paralelo a estes acontecimentos nacionais, de inegável importância e igual repugnância, discutia política associativa com amigos. Numa mesa, plantada num pavilhão de basquetebol e regada a boa-disposição e amizade, falávamos de associativismo, em brincadeira. Um, o responsável máximo, delegava com uma mestria estonteante. Definiu, de imediato, o departamento sniper, para disparar os olhares para as equipas adversárias; o departamento ratice, que era oportuno para a pessoa a quem delegava essa função; o departamento sincronização, o departamento bitaites, e por aí fora. Até que chegou o meu, o departamento Recreativo. Um dos nomes mais pomposos, mas que na verdade é pouco inovador.

Vejamos, para recriar é necessário, antes, já ter sido criado, o que me aniquila da possibilidade de ser criativo, de inventar. Fiquei triste, mas sorri. Afinal, olhando com atenção, o nosso país é uma recriação, o que me abre possibilidades de carreira. O nosso governo e presidência da república têm sido mestres no departamento da recriação. Recriaram uma precariedade de anos há muito idos; recriaram taxas de desemprego que fazem lembrar o pós-guerra; recriaram impostos de países onde se pagam balúrdios e se recebem balúrdios; recriaram uma situação de filme de comédia; e, para finalizar, o nosso PR recriou um governo de salvação que, há bem pouco tempo, foi criado na Grécia, com o sucesso que se sabe.

Assim, pretendia agradecer ao meu amigo que me delegou um posto que, na verdade, gere o país. Criar é trabalhoso, então, embora recriar. De preferência, o que de pior já foi feito!

Ral
http://www.bubok.pt/livros/6257/Realidades

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