Portugal com banda sonora da Celine Dion

portugal, titanic, afundar, botesO país a afundar-se e os comandantes a apanharem os botes, creio que é a frase que melhor descreve.

Nunca andei muito de barco, com pena minha, mas do que vi em filmes, e até daquele cruzeiro italiano que embateu numa rocha, aprendi que os responsáveis deveriam ser sempre os últimos a saírem, após se assegurarem que todos os passageiros estão em seguranças. Mas, aqui, não. Alguma vez iriamos ver os nossos maiores a andarem de lado para lado, a entregarem coletes e a organizarem as pessoas, para as enviarem para terra firme, enquanto suavam, contrariavam os seus receios e conversavam com os passageiros?

Cá, vemos Gaspar demitir-se com uma carta onde assume todas as culpas de uma má política, onde diz, ainda, que, agora que ele lá não estará, deve-se procurar medidas de investimento. Ou seja, o papel dele era cortar e cortar, para um dia partir a afirmar que, afinal, o caminho é o oposto. Depois, um primeiro-ministro que nomeia uma substituta que não agrada a ninguém, excepção a ele, mesmo sabendo que isso ainda lhe prejudica mais a imagem. Depois, um coligado que é, também, da oposição, que se retira por dizer que não concorda com esta nomeação, mas que, contudo, sempre esteve calado aquando das medidas do Gaspar, mesmo sabendo que o PSD dependia deles para a maioria – a bem de uma estabilidade, dizia ele. Eu, quando estou na lama, não quero estar estável, prefiro arriscar chegar à terra empoeirada, que me permite secar a pele e as roupas. Mas isto sou eu, que sou meio tonto. Já antes, havia saltado fora um ministro, que de consensual dispunha apenas da discórdia. E, hoje, com o país a arder, para além de estar a afundar-se, o primeiro-ministro apanha um voo para Berlim, para ir a uma conferência. Enquanto se descobre que a nova ministra das finanças, há pouquinho tempo, ofereceu um lugar ao marido numa empresa que ela privatizou.

Enfim, estamos felizes. Afinal, contas feitas, o nosso Presidente da República está a defender a estabilidade e, como é seu apanágio, mantém o silêncio que é coincidente com as suas melhores palavras.

Por fim, espero que estes moços em fuga se cortem nos botes e deixem escorregar gotas de sangue para a água, pois daqui a duas semanas estão aí os tubarões. Quanto aos da oposição, esqueçam. Foram os primeiros a afogar-se. E nem foi em alto mar, foi nas menorreias que eles próprios jorraram. Assim vai o nosso país. Mas não desesperem, quem sabe a Celine Dion venha a cantar o nosso hino e o DiCaprio ganhe um óscar a fazer-se passar por um de nós.

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