O dia da greve

nuno crato, greve dos professores, ministro da educação, paísNão podemos centrar culpas e responsabilidades no Nuno Crato, a corja é maior e mais alargada. É feia.

Hoje, ao que tudo indica, a paragem não será global, mas será ainda pior a emenda que o soneto, pois o ministério, ignorando o rogo dos pais e encarregados de educação, dará exames a serem feitos aos alunos que for possível. Onde estará, então, a justiça? Depois, farão novos exames ou oferecerão a benesse de alguns fazerem já sabendo o que saiu? Farão outros, para depois se começar uma discussão de que um era mais fácil do que o outro? Reclamarão os chumbados de agora que os outros tiveram mais tempo para estudar? Existirá confusão no momento de candidatura por esta disparidade de datas?

Na verdade, a minha pergunta é: Nuno Crato pensou em algo disto, ou apenas quis demonstrar a sua supremacia de fazer o que quer, de estender uma pequena bandeira de vitória, com 10 alunos em mil que fazem exame?

Durante os últimos dias, a meu ver, tem-se assistido a uma das mais feias campanhas de que há memória. Nuno Crato tem falseado todas as realidades, a bem dos seus interesses, sujando o nome dos professores e usando alunos, alguns bem jovens, como arma de arremesso! Tem sido desrespeitoso para a classe a que deveria pertencer. Não se percebe como pode vir abjurar o que é o trabalho dantesco destas pessoas, na formação de um país que eles pisam e repisam. Defende que os professores não podem ser diferentes da função pública, quando na verdade o são. As pessoas do atendimento, por muito que tenham responsabilidade nas suas funções e me mereçam respeito, não necessitam vir para casa ponderar os impressos que os utentes preencherão no dia seguinte, não terão a pressão, dos mesmos utentes, para que lhes corrijam as fichas de inscrição o mais rápido possível, não lidarão com pessoas em idade jovem, com problemas de acreditar no ensino num país onde as perspectivas são zero, não têm que se preocupar com o papel preponderante que terão na formação daquelas pessoas. Como pode, então, considerar-se que os professores são uma classe igual? A equidade não se faz por medidas cegas, faz-se por uma sensibilidade que a política há muito perdeu.

O governo centra a sua governação em números, números cegos que destroem uma população, com uma incidência assombrosa nos mais jovens, para depois defenderem que os professores é que prejudicam os alunos? E os estivadores, os controladores aéreos, os funcionários da CP, não escolhem greves para fases complicadas? As greves não existem para ser uma romaria de bandeiras e comes e bebes em frente aos ministérios, existem para se fazerem ouvir as revindicações. Desta maneira, que melhor altura existia para se fazer a greve? No mês de Agosto, com todos em férias, para ser um grito no meio de uma floresta deserta?

A prestação do Nuno Crato nestes últimos dias, em junção a outras medidas, ditadas, obviamente, por Gaspar, é de uma incomensurável desdenhe e mesquinhice. Um único ministro conseguiu apresentar o tipo de postura de todos os outros. Pretendem destruir o ensino, o futuro do país, a bem da recolha de mais uns euros que nunca pagarão as más governações que eles levam a cabo, para depois acusar os professores de serem os que prejudicam os alunos? E os meses que eles os acompanharam, que fizeram do desconhecimento o mote para os alavancar, que lhes delegaram ferramentas para vida, conhecimentos básicos para trabalharem o seu saber e fazerem um futuro, que pela conta do Crato e tantos outros, será fora do país. Que governo é este que nós temos? Chega. Não podemos mais compactuar com farsas, com pessoas que ignoram as pessoas, cerrados em escritórios a ver números em cima de nomes de famílias e crianças que desesperam, para depois dizerem que os professores prejudicam os alunos? Que país é este? Que pessoas são estas que estão à frente das nossas vidas?

Não se pode aceitar. Mais, é importante que cada aluno perceba o que se está a fazer às pessoas que são o complemento dos pais durante o dia, que se deitam mais tarde para produzir aulas que muitas vezes caiem em saco roto por turmas serem demasiado grandes ou definidas por alunos mais indisciplinados, como um dia eu fui e hoje me arrependo. Dizer que eles são iguais aos outros funcionários públicos, é afiançar o que já se sabia, de equidade este governo sabe, somente, as letras que a compõe. E sabe porque, um dia, professores lhes ensinaram o alfabeto, a junção das letras a favor de palavras que se constroem. Mas, enfim, aqui interessa é pagar dívidas e matar pessoas e sonhos, pois uma população morta é mais fácil de governar e menos despesista. Que país que temos!

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2 thoughts on “O dia da greve

    • Uma palavra, quando é sentida, é fácil de ser dita. Na minha família não moram professores, contudo tenho crescido e conhecido vários, era impossível ficar indiferente! O nível do senhor Nuno Crato foi demasiado baixo. Defendo os professores e defenderei todas as classes que são subjugadas por estes governantes esquecidos das pessoas!

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