Sono

sono, preguiça, dificuldade trabalharSinto um aperto inabitual no fulcro de mim.
Procuro forma de o descrever, de o tornar audível aos olhos de quem me lê,
Mas ele mantém-se estranho e sem nome.
Será feitiço, tristeza ou desamor?
Não sei, não posso saber. Se desconhecido não fosse, jamais me levaria a escrever.

Ele propaga-se, mexe-se pelas vísceras acima
E abaixo. Também se mexe por elas abaixo.
Não sei mesmo o que é ou quem é. Cambaleio.
Contudo, não desisto. Saberei o que é, quem é, como se chama.
E depois rebatê-lo-ei. Dir-lhe-ei, olhos nos olhos:
Assim, não! Não me podes subjugar na penumbra, sem me explicares motivos.
Não é justo. Repetirei.

Ele, quem sabe, me responda: Acorda, Ricardo.
Acordarei, de olhos esbugalhados, de cara ausente e suspensa no estremunho.
– Como?
– Conforme quiseres.
– E como é que eu quero?
– Sou consciência, não sou acção.
– Então é isso que és? Consciência?
– Não, na verdade sou tudo o que pretendas que eu seja.
– E o que é que eu pretendo que tu sejas?
– Acção, Ricardo, acção!
– É isso que eu pretendo que tu sejas?
– Não. É isso que necessitas para que eu deixe de ser um assombro e passe a ser uma recordação!
– Raios, és o sono!

Para encomenda de livros, sem portes: ricardoalopes.lopes@gmail.com
Para compra directa: http://www.bubok.pt/livros/6257/Realidades

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s