Atraso

praia, verão, atraso, inverno, escuroEstava a ir, a caminhar,

O rumo não era certo, nem incerto, era o que era.

E eu ia. Ia sempre.

Ao longo das travessas verdes de um jardim sem fim,

Que se cruzava no estrelar do céu, com o amarelo das plantas.

Caminhava e caminhava,

Escondendo o cigarro numa mão e a ponta acesa do telemóvel na outra.

Sabia que chegaria na hora, na hora exacta

Não queria perder um segundo que fosse.

Quando rompi pelas entradas do canavial, já se avistava um azul que eu procurava

Era cristalino, mas estava baço, não se percebia a sua imensidão

Planava sobre ele um véu escuro, que eu ansiava que desaparecesse

Olhei para cima e ignorei o telemóvel,

O contacto teria que ser com os divos. Onde estás?, perguntei eu

E ele não respondeu. Continuou sem responder.

Imaginei que fosse um jogo que me despertasse o prazer oblíquo da espera

A insânia de uma maior aguarda pelo que tanto desejamos.

Mas, pouco tempo bastou, para perceber que ainda não era daquela.

O preto da noite saiu e o cinzento do Inverno ficou.

E pronto, mais um verão que se atrasou.

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