O meu rescaldo

simbolo_Benfica

Terminou a época. Findou o ano que ia ser de sonho e acabou em saco roto. Ficam meses de esforço, que num fumo se definiram por inglórios. Existiam muitos que não mereciam e grande parte deles são adeptos.

Para finalizar, em resumo, faço um rescaldo. Um rescaldo em que não falarei do crescendo do Gaitan, do melhor e do pior do Artur, das opções melhores e piores do Jesus, da raiva do Cardozo, mas de mim. Sim, todo egocêntrico. Durante meses e meses, na fase dos jogos em pleno Inverno, com a chuva a dar de si nos estores e nas vitrinas dos cafés, nos estádios repletos de pessoas, que nunca viram as costas, assisti a jogos e jogos na companhia do meu pai. Muitas vezes, os dois sentados numa mesa com cafés e águas, talvez uma mini ou duas, alguns cigarros, ou até no estádio, mas acima de tudo com muitos bons momentos. Nem sempre eu e o meu pai estamos de acordo, mesmo mantendo o amor imenso ao Benfica. Umas vezes, ele por cima, mais certeiro na análise de bancada; noutras eu. Dava para compensar e para estarmos sempre unidos, quando algumas varejas, que vêem o jogo do clube em casa e vão ver o do rival para o café, se punham na ciência da maledicência. Não foi fácil, em alguns momentos, foram brilhantes na azeiteirice de criticar sem saber o que diziam. Agora, eles regozijam, é verdade, mas nós continuamos pai e filho, unidos e bem-dispostos. Ontem, talvez eu não estivesse tanto. O meu pai gritou, chamou nomes e no fim disse: Ricardo, não vais ficar assim. É benfiquista e muito, contudo é mais pai. E isso tem valor.

Agora, na ponta final, assisti a quatro jogos decisivos longe dele. Curiosamente, os maus resultados. Em França vi o jogo com o Estoril, pelo telefonou-me perguntou-me se eu tinha visto o jogo, disse-lhe que sim e ele respondeu-me: mais-valia não teres visto. Estive na Suíça a ver o jogo com o Porto e perdemos, à mesma distância de um telefone, disse-me: porra, já lá vai um. Em Ovar, num sítio por onde sempre ando, assisti à final da Liga Europa, sem ele. No fim, cheguei a casa triste, e ele disse-me: hoje não mereciam perder, mas o problema maior esteve no jogo de sábado. Ontem, decidi sair de um almoço onde estávamos, para ir ao mesmo sítio em Ovar, para no fim ele me dizer o que atrás já referi: não vais ficar assim.

Por tudo isto, e muito mais, somos um pai e filho felizes, cúmplices. Mas mais do que isso, juntos, somos um amuleto. Diabo para a ideia de ter visto jogos sem ele. Prova disso, é que no intervalo destas partidas, no que seria decisivo, o Porto ganhou no Paços, porém o Benfica também ganhou ao Moreirense. Estávamos juntos, no tal sítio de Ovar, mas juntos. Caramba, pai! Gosto de estar contigo por seres quem és, mas também me devia ter lembrado que o Benfica gosta que estejamos juntos naqueles noventa minutos, que para mal dos nossos pecados vão, por vezes, até aos noventa e três ou quatro.

Ainda antes de terminar, gostava de dizer que sou doente, que gosto muito do meu Benfica, mas que devo umas desculpas a muitos dos que abordei com excessiva veemência. Não por ter sido mal-educado, que julgo que nunca fui, mais por ter sido áspero nas palavras, por ter respondido com a mesma frieza que sentia dentro de mim. O Benfica é uma paixão, mas eu vivo é dos meus laços. Sejam estreitos ou não. Ontem postei a minha revolta em relação à situação do Aimar e reforço-a, mas talvez agora não escrevesse as coisas com toda aquela força, com todo aquele vernáculo. Fui ríspido e sem necessidade, não escrevi com as letras que costumo escrever, escrevi com as da raiva, com as que não têm estribeiras. Hoje, reli e corrigi erros. Sim, os nervos tiraram-me, inclusive, o discernimento de distinguir a vírgula do ponto final. Estava mesmo triste e irritado, mas sempre benfiquista.

Pai, tenho que dizer-te, somos fortes juntos, até o futebol o comprova. Estivesse eu a teu lado, nos momentos que interessavam para o nosso clube, e a esta hora estaríamos a festejar tudo quanto eram títulos. Ou, então, eu não acredito em nenhuma destas superstições e só queira dizer-te: adoro-te! Sem descrédito pelos meus tantos amigos, ver jogos contigo é um divertimento e um prazer! Prometo estar sempre lá, durante noventa minutos e uns descontos malditos do Benfica, assim como em toda a nossa vida!

Para encomenda de livros, sem portes: ricardoalopes.lopes@gmail.com

Para compra directa: http://www.bubok.pt/livros/6257/Realidades

2 thoughts on “O meu rescaldo

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s