Xauzinho, Real Madrid

FC Internazionale Milano vs AS Bari - Serie A 2009/2010

Ontem andava a viajar pelos desportivos, já a saborear a miscelânea de compras e vendas, trocas e baldrocas, tão típicas desta altura, que se principiará a partir do próximo fim-de-semana. O que de bom guardo desta fase de adormecimento da bola a rolar, são as imagens das manhãs de verão, em esplanadas junto à praia, no Algarve ou no Furadouro, a desfolhar folhas de jornais impressas somente para vender, com jogadas de empresários e pequenas mentiras de editores.

Porém, não foi isso que me moveu a escrever. O Mourinho saiu do Real e, todos sabemos, sem os resultados expectáveis. Não obstante disso, o que me faz confusão, e até alguma revolta, é a exacerbante ingratidão de um clube, pelo qual tanto torci nos últimos anos. Confesso, em Portugal sou Benfica, mas existem muitos que depois de saídos do Porto, me prendo de amores, por lhes dar o devido valor. O Mourinho e o André Villas-Boas são dois exemplos. O primeiro, é o melhor do mundo. Sem grandes conversas em redor disso, os resultados falam por ele. O segundo, noto nele um potencial enorme e um conhecimento importante do jogo e de algumas estratégias motivacionais, que tal como o Mourinho no Real, foram ceifadas no Chelsea. Contudo, será do primeiro, nesta narrativa e na escala dos treinadores, que falarei. Em três anos ganhou um campeonato, uma taça do rei, duas supertaças e mais duas meias-finais da liga dos campeões. É pouco, muito pouco para quem já ganhou tudo. Porém, é muito para um clube que tem sido um cemitério de resultados, uma desgraça de muitos treinadores e o abrigo de tantas outros que se dizem madrilenos da vida e para a vida.

A taça do rei que perderam este ano é inadmissível, mas até ao Mourinho chegar não a ganhavam há doze anos. Perder duas meias-finais na liga dos campeões é pouco, mas desde o ano em que ganharam com o golo do Zidane era um valha-me deus para passarem o grupo. As supertaças são coisas pequenitas, mas era tão certo elas serem ganhas pelo Barcelona como o campeonato. Um campeonato em três anos é pouco, mas foi na altura que o Barcelona até a jogar de muletas ganhava a qualquer equipa do mundo. Duvidam que o decréscimo do Barcelona, a queda de confiança, também vem de alguns resultados do Real Madrid, que mostraram ao mundo que eles não são invencíveis? A distância foi desastrosa este ano, no campeonato que o Mourinho apelidou de pior, mas não foi por isso que no confronto directo deixaram de cerrar punho. Aquele medinho dos jogadores madrilenos em defrontar o Barcelona, desapareceu pelas mãos do Mourinho, fê-los acreditar que eram capazes. E, para isso, foram importantes outros portugueses, como o Ronaldo que marcou em todos os jogos e até o Pepe que bateu em todos sem medo. Tudo isto são conquistas. Mas a tacanhice de um clube que quer ser grande e bonito e espanhol, mas não percebe que ser grande e bonito e espanhol, não é fazer ámen a todos os que acham que mandam lá e despedir em catadupa.

O Real Madrid nunca será verdadeiramente grande, em conquistas, enquanto forem agradecidos aos ingratos e estúpidos para os campeões. O Di Stéfano é mítico, mas se elogia o Mourinho está senil; O Calderón é o presidente esquecido, mas se diz que o Mourinho foi o pior treinador da história do Real tem razão.

Não sou bruxo, nem ditador de verdades, mas se o Casillas continua a ser o símbolo e o Ronaldo é quem dá as vitórias, pois quem apoiem o Casillas. Respeito e consideração são coisas diferentes, mas em Madrid isso não se percebe. Pois então, que se amanhem nas redes que criam, que um dia será tarde para irem atrás de um mundo de futebol que os goza. Dêem razão aos do Barcelona, que no papel deles gozam o Real, e não se virem contra eles, respeitem-nos como um menino respeito um polícia. E depois verão partir Mourinhos, Ronaldos, Ozils, Coentrões, Marcelos, Pepes, entre outros, e ficarão com a prata da casa que é feita de anos de futebol e de já pouca entrega, e verão quem tinha razão. Não lhes desejo mal, mas que espero ver isso espero. Ai espero, espero. Ingratos. Demagogos. Pouco inteligentes.

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