Sobre o Martim, o menino Martim, tenho duas coisas a dizer:

martim, prós e contras, raquel varela, humilhação1 – Ao contrário da jactância de tantos e tantos argumentos, que por aí se vêem, o que move a estar do lado dele, a apoiar-lhe o empreendedorismo, não é a eloquência ou sobranceria de resposta, é simplesmente o facto de ter tido resposta. Independentemente do argumento, teve réplica, o que só por si vale aplausos. A senhora doutora, julgo que Raquel Varela, foi essencialmente desprezível, pouco mais que isso. Não estou a discutir a veracidade das preocupações que ela subjugou à sua euforia do bota-abaixo, estou a falar da forma grotesca como tentou desprezar um menino, pensando que a sua licenciatura e mestrado e doutoramento e anos de experiência profissional e sobranceira idade, lhe valeriam um brilharete. Estou cansado de sermos um país de doutores. Não por achar que não devemos ter ensino, mas, sim, por achar que não deverá ser o ensino que nos define manifestamente melhores. O que fazemos com o ensino é que nos define. O jovem Martim, claro, ainda tem muito que aprender, mas, desde logo, ganhou pontos. Mostrou atitude. E isso é coisa que a doutora terá que mostrar, pelo menos a mim, e não através de rasgos de facúndia arrogante.

2 – Estou de acordo que o ordenado mínimo é irrisório. Mais, ridículo. Porém, a definição desse valor, não está nas mãos do Martim, do Manuel, do Carlos, ou de qualquer outro empresário, está nas mãos de quem nos legisla. Sim, esses, os tais que nos usurpam os direitos todos. Obviamente, as questões da doutora, são questões a serem tidas em conta, mas não contra um menino que com quinze anos ergueu um negócio, sem produção própria, e que por isso procurou melhores alternativas, para criar uma relação qualidade/preço favorável ao seu cliente. Obviamente, não conheço o patrono da empresa, onde se estampam as camisolas do Martim, mas, quem sabe, com mais encomendas com as dele, não poderia pagar mais do que o ordenado mínimo. Isso, é outra questão de um país mal formado, onde se corre atrás de culpados. Culpando e desculpabilizando todos a uma velocidade furiosa, quase disléxica, e esquecendo que aqui não existe direita nem esquerda, existe um centro disforme. Não se pode falar de socialismo, quando se removem todos os direitos que uma população deveria ter. Até aos reformados pretendem chegar, até às crianças já chegaram. Porém, também é difícil falar de defesa do capitalismo, quando somente se defendem os bancos que, como sabemos, não são os que geram a produtividade. Eles vendem dinheiro, o apoio às entidades patronais continua a ser ridiculamente inexistente. Eu não sou patrão de nada, pelo que me seria fácil acusar todos os patrões de exploração – até porque sei que alguns são de facto exploradores -, porém também vivo próximo a essas realidades. E existem coisas, que a tal necessidade momentânea de culpabilizar, não permite alcançar. Cá, no nosso Portugal de demagogos, também não é fácil ser patrão. Desenganem-se os que crêem nisso. As taxas e sobretaxas que nos atacam, população, não são apagadas das entidades patronais. Assim, de que forma pretendem que se invista? Sendo um bom samaritano que paga substancialmente acima do que a legislação prevê, num mercado que não consegue acolher o que produzem? Sim, porque este menino Martim deu mais uma lição, a quem viu mais do que o minuto que mostrava a doutora toda emproada. Ele está a vender algumas coisas para o estrangeiro, pois tratou de “oferecer” o seu material a desportistas de outros países, levando a sua imagem, e consequentemente a patente portuguesa, a outros locais do globo. É simples, não é? Pois é, tal como todo o negócio dele. Mas é, exactamente, esse simplificar que diferenciou o Martim da superentendida Raquel Varela. Todo o negócio dele está assente em bases simplistas, que começaram nas meninas bonitas da escola e saltaram para os desportistas do mundo. Resultado? Com dezasseis anos está bem, a mostrar a outros como se faz. Isto num país que falou de exportar os pastéis de belém, quando nem consegue exportar alguns dos melhores vinhos do mundo, porque entrega-os de bandeja a investidores estrangeiros, ao mesmo tempo que não consegue exportar algum do melhor azeite do mundo, à excepção de uma ou duas marcas que, felizmente, descomplicaram o processo e simplesmente foram lá para fora. Isto, ainda, num país que teima em criticar pessoas como o Soares dos Santos, quando neste momento existem vários produtores portugueses a sorrir com a ida dele para a Colômbia, isto num país que prefere eleger os investidores como os vendedores da banha da cobra, para defender ideologias que são assassinadas na base, na governação, e não nas pessoas que pretendem alavancar algo. Isto num país megalómano, que pretende candidatar-se a tudo o que mostra luxúria e grandiosidade, quando não percebe que a sua mina está nos nichos. Competirmos com a Alemanha é a mesma coisa que colocarmos o Paços de Ferreira a jogar contra o Bayern a final da liga dos campeões. Em cem partidas, venceriam uma. Esqueçam, não somos um país grandioso e dificilmente seremos, pois não temos estrutura nem peso suficiente. No entanto, somos habilidosos, trabalhamos em pequenas quantidades com um detalhe e minúcia que poucos se podem gabar. Mas trabalhar em exclusividade é pouco, não é? Claro que é, porque a governação diz que devemos fazer muito e rápido. E assim, vivemos num país de imediato, que não olha para o futuro. E na minha terra, que é a mesma que a vossa, diz-se: quem tudo quer, tudo perde.

Génio é o Martim, não por ser excessivamente complexo ou edificante nas suas soluções, apenas porque é simples. E simples é o que este país de complicados deveria ser. Foda-se para as demagogias, foda-se para as intelectualidades que valem postos. Aprendam a ser pequenos e aí, sim, quem sabe, um dia poderão ser grandes!

Um abraço do vosso amigo, que pouco sabe disto,

Ral

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