Paris, je t’aime!

DSC00605Como alguns sabem, outros nem por isso, na semana passada estive de férias por França. Pela cumplicidade que possuo com alguns amigos, que fazem vida em França, foi o destino que escolhi. Comecei em Paris.

Paris é a cidade luz, um marco no romantismo. Assim, não resisti a escrever um pequenino texto sobre uma cidade que só agora conheci. Já havia visitado França, na plenitude dos seus imensos verdes e amarelos, no peso da sua história alemã maldita, mas só desta vez visitei a capital, o capitólio do imaginário.

Paris é inconfundível, é homogénea. Parece-me, sempre, uma cidade pensada em cada detalhe. Aliás, é uma cidade pensada em cada detalhe. Não existe uma incongruência arquitectónica. Subam pelos jardins do Louvre até à Concórdia, a avistar os Champs Élysées, ou profundem-se por uma qualquer rua perdida na imensidão de multiculturalidade e encontrarão sempre rendilhados nos edifícios, semelhanças entre todos. A torre ergue-se como o seu marco, mas está longe de ser. A cidade vale por cada passeio que se dá na margem do Sena, por cada ponte atravessada, com ou sem cadeados de amor, não obstante do farol que o Eiffel lá criou. A torre é bonita e mítica, principalmente a iluminar-se, contudo o que a diferencia é a luz que emana para toda a cidade. Seja noite ou dia. É o nosso poder de nos situarmos, de qualquer canto, no avião ou em Notre Dame, ela vê-se sempre. Cá estamos a norte ou a sul do centro, lá estamos a norte ou a sul da torre. O Louvre é o exponente, é o mergulho na cultura. Da cultura árabe à romana, está tudo quanto foi pilhado. Subir à Basílica de Sacré Coeur, é atravessar a lascívia do Moulin Rouge e, depois, a cumplicidade romântica de Montmartre. Nesse bairro, ladeado de pequenos barzinhos, replicados da nossa imaginação romântica da cidade, vêem-se cantores de rua, que sentados em esplanadas, bem ao nosso lado, nos brindam com vozes que incrivelmente o mundo ainda não descobriu. Lá em cima, somos pequenos. Paris desenha-se, entre pilhas de casas vestidas de gala, a remeter-nos para uma pequenez que é tão apaixonante, tão viciante. Paris, ali, naquele cume, é a prova que o romantismo, o prazer imenso da cidade, não é mentiroso. São senhoras dos sessenta a divertirem-se com ritmos africanos, são guineenses a dar toques com uma bola, ao cimo de um poste, que nos fazem sentir ridículos de tão admirados que estamos, são grupos de jovens a enfrascar água, sumo ou vinho, numa convivência que nos enriquece e são todos chineses. Os portugueses, os brasileiros, os americanos, os coreanos, os espanhóis, mesmo os franceses, são todos chineses. Ninguém resiste a disparar, sem fim, a máquina fotográfica. O local, o momento, é belo de mais para não ser registado para a posteridade. A beleza, a imagem quase platónica, jamais a esqueceremos, mas a necessidade de a partilharmos, de a tornarmos mais tangível, não nos permite guardar a máquina. Disparar e disparar, sempre sem parar.

Por fim, confesso, não sei se lá viveria. Desde logo, os tostões que conto no bolso não me permitem alargar-me na imaginação de uma pequena casa claustra, no centro do mundo imaginário, com cafés de novela no rés-do-chão, o movimento de pessoas do mundo na rua. Além do mais, o trânsito não é somente congestionado, é bruto. Não interessa quem tem a prioridade, o código faz-se pela urgência e ânsia de cada um. Os taxistas são, no fundo, pilotos prontos a competir em qualquer rally. É assustador. Ainda assim, e ponderando melhor, com uma casa no fulcro do batimento poético da europa, conseguiria resistir?

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