Exploração não é felicidade nem bênção!

1 de Maio, trabalhador, direitos, reconhecimentoQuero começar por realçar que este texto não fala de mim. Não fala mesmo, pois, felizmente, sou afortunado e bem-aventurado no trabalho que tenho. Note-se que isso não me impede de procurar melhor, pelo facto de ambicionar mais.

No entanto, tem-me feito uma enorme confusão a consternação que existe em torno de algumas pessoas, que revelam não estarem felizes nos trabalhos que possuem. São, imediatamente, pontapeadas com desaforos, pelos que estão em redor. O Estado está a conseguir ainda pior do que desempregar pessoas, está a conseguir silenciar as que trabalham; está a conseguir tirar a voz ao povo.

O  dramático, dos dias que correm, é que o simples facto de estarmos empregados deve ser um motivo de alegria desmesurada, que não nos permite retorquir qualquer problema, pois os nossos análogos dirão que somos é malandros. Isto é o estado do nosso país, o que o nosso governo alcança. Não interessa que se trabalhem doze horas por dia, com meia hora para almoçar e sem descanso ao sábado, para ganhar trezentos e tal euros. «Estás a trabalhar, tens mais é que estar caladinho, que há piores!». Acredito que existam piores, mas não podemos estar felizes se não somos reconhecidos, se somos explorados. As pessoas sôfregas, castigam as que sofrem e têm que calar. Isto é obra de sujeitos que estão a destruir o país, sejam os nossos governantes ou os agiotas da Europa grande. Portugal não é isto! Admitir felicidade por sermos explorados não é ser grato. É ser estúpido. É dar razão a uma governação que não apela às pessoas, não se lembra das pessoas.

Ontem foi 1 de Maio, dia do trabalhador, e dói-me que se definam os que têm emprego como indivíduos que devem calar e agradecer. Não, quem deve agradecer são os que trabalham, recebem pelo mérito do seu trabalho e são reconhecidos pelo que fazem. Eu ganho menos do que desejava e, em certa medida, merecia, no entanto posso agradecer. Contudo, sei de milhares de pessoas que trabalham mas não têm nada que agradecer. Têm, sim, que estrebuchar, reclamar e dizer que emprego é troca de favores. Nós damos trabalho, lucro aos patrões, eles dão-nos ordenado, direitos. Simples assim. Exploração não é felicidade nem bênção!

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