Não sonho com o passado, relembro-o

adolescência, saudades, idade adultaOntem um amigo deu-me um link, uma viagem pelas mudanças que encontramos aos vinte e tal anos. É um tanto ridículo fazermos esse rescaldo em idade tão jovem, todos feitos velhos. Mas a verdade é que as diferenças se notam, se fazem sentir.

O texto articulava das alterações dos hábitos, das dificuldades maiores de ver os amigos, da diferença de quando nos encontramos, da maneira como o dinheiro fica curta para três saídas por semana, de como começamos a distinguir as relações de amizade que são para a vida das que foram do momento da adolescência, das ausências de perspectivas, mesmo que mantendo os sonhos, da maneira como ficamos mais sérios e queremos ter mais opiniões, do jeito como o amigo tolo acalmou, da maneira como começa a assustar ver alguns casarem, terem filhos, de como adiamos sonhos porque achamos que é o momento de criar bases e por aí adiante. Muito adiante, aliás.

Não pude deixar de me rever, obviamente, porém, mantenho-me sempre um pouco palerma sobre essas coisas. As saudades, por vezes, batem, não há como não baterem quando os anos foram bons. Vivi como tolo essa época, eu sei e não me arrependo, e talvez por isso me torne pouco saudosista. Gosto de relembrar esses anos em conversa, falar deles com uma saudade boa de quem tem carinho por eles, todavia isso não me prende lá. Desde já, avisar os que me estão a ver como um fala-barato, como um vendedor de imagens bonitas, que eu acredito mesmo nisto. Se vocês não acreditam, se acham que são só balelas, pois bem, isso não é problema meu, é vosso. É algo que vocês devem alterar, não eu. Eu tenho vinte e cinco anos e acho que desde os meus quinze aproveitei cada ano da minha vida. Nuns anos como um estudante doido que não queria saber de percursos, noutros como um estudante já mais atento, que ainda assim era meio maluco, depois como um universitário pouco dado a acordar cedo e a ficar em casa à noite, mas muito dedicado às matérias que o apaixonavam, de seguida sendo um jovem que chega a uma empresa e embebe a adrenalina de não fazer ideia do que é trabalhar e depois como um ainda jovem, que descobriu que gosta de escrever e foi à luta por ter um espacitos para fazê-lo, e alimenta-se disso. No fundo, o que pretendo dizer, e digo mesmo, é que não fiquei preso a essa adolescência, pois sinto que na idade adulta ainda mantenho a loucura. Tenho a minha namorada, que amo e valorizo muito, e sinto-me realizado por podermos fazermos programas mais caseiros, mais coisas cheias de mel, mas ao mesmo tempo mantenho os meus amigos, que de finos têm pouco e é isso que amo neles, e assim continuamos a alimentar jantares, cafés e alguns copos, ao mesmo tempo que no âmbito profissional amadureço os meus sonhos. Continuo, portanto, a ter a loucura dos tempos da escola, trabalha-os é da maneira diferente.

Ora vejam, se quando entrava às 11h da manhã na Universidade e pensava que um dia estaria aquela hora de fato vestido a entrar numa reunião, hoje, entro às 9h no escritório, lanço-me ao computador a justificar o meu ordenado, a tentar ir um bocadinho mais além disso, e a pensar no momento à noite que me atirarei às folhas de word, com a cabeça a viajar por mais um livro com uma capa que tenha o meu nome, com algum reconhecimento. E com isto, com esta tolice minha, mando e-mails a dizer quem sou, a informar do que gostava de fazer. Se a ausência de resposta é agoniante, também é propagadora de sonhos. Nada me impede de ser parvo. Ajuda-me sê-lo. Eles não me respondem e eu penso que é pela conjuntura, e assim terei tempo de melhorar as arestas. De ser melhor. Mais melhor, como dizia o outro.

Por tudo isto, sei que vivi uma adolescência de sonho, mas acredito que tenho uma idade adulta cheia de coisas boas à minha espera. Não sonho com o passado, relembro-o. E aí está a diferença.

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