Ontem vi uma reportagem da sexualidade e não percebi!

sexualidade, adolescentes, sexo, pornografiaOntem vi uma reportagem da sexualidade. Uma apresentação introdutória de uma sexóloga, umas meninas prontas para sair e ir para a noite, uns miúdos do nono ano a conversar na escola, uma jovem de quinze anos que é modelo. A liberalização e evolução do sexo na internet, com o gestor de conteúdos do canal pornográfico português a falar. Tudo, estava lá tudo. Menos uma coisa, creio.

Onde estavam os homens?

Homens que vão para a noite, naquela faixa dos dezassete aos vinte, não teriam nada de útil para dizer? Foi giro ver as meninas a pintarem os olhos com rímel, a escolherem entre as calças justas e a saia curta e a informar de como os homens – sempre mais velhos, segundo elas – as abordam. Mas não será que os homens também ficam indecisos entre a t-shirt e a camisa, e, escolhida a camisa, quantos botões irão abertos? Porventura, contar das mulheres que os abordaram. Ou acreditam mesmo que não existem mulheres a abordar homens?

Não me compete a mim dizer se sim, ou se não, e até aceito que realmente a sexualidade se modificou, se alterou, porém acho que de uma reportagem de louvar, fizeram uma peça discriminatória. Definiram os homens como os elementos que atacam, no fundo predispuseram a percepção das pessoas, para a velha máxima: os homens estão sempre prontos. Coisa, aliás, que a própria sexóloga, antes da peça, tinha desmistificado. Alertando, inclusive, que existem cada vez mais homens com dificuldades de se aprontarem. Apontando dois motivos para isso: aumento considerável do stress; facebook como potenciador de encontros. Este segundo factor não deixa de ser curioso, pois torna-se o maior incremento de sexualidade, ao mesmo tempo que se torna o mais castrador. Na leitura da sexóloga, o que se passa é que as pessoas, através das redes sociais, alimentam nas conversas e nas fotos o que há de melhor em si, por isso, quando acontece um encontro aumenta-se a probabilidade de insegurança, de receio de exposição das partes mais delicadas. Com isso, e sendo a excitação do homem mais visível, o rastilho não se acende e o homem foge. Receia não encontrar o botão do on.

A única coisa que pretendia dizer é que, de facto, a sexualidade evoluiu, se bem se mal, será sempre uma discussão sem fim. Acho errado é uma televisão, que teve uma ideia interessante, se quedar pela metade da moeda. Só as mulheres é que podem falar da sexualidade, nas discotecas? Quer dizer, até nos crimes o assaltante ou assassino tem direito a falar. Não percebi!

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4 thoughts on “Ontem vi uma reportagem da sexualidade e não percebi!

  1. Bom post. Fiquei exactamente com a mesma sensação. Fui coordenadora do programa de educação sexual numa escola secundaria do centro de Lisboa. As raparigas falam e falam… Falam sobre elas, sobre eles, sobre as amigas… Os rapazes remetem-se ao silencio e mesmo entre amigos não falam do que os incomoda ou das suas inseguranças… Há muito mais insegurança e até sofrimento do lado deles, muito porque a pressão social é do lado deles. Fiquei a pensar se na reportagem a ausência de rapazes tem a ver com o facto de não terem arranjado quem desse a cara ou se de facto foi esquecimento, se assim foi o título da reportagem é infeliz…

    • Precisamente! Eu não pretendi neste post tomar partidos, pelo contrário. Quis deixar claro que existem problemas e evoluções (ou mesmo retrocessos) de ambas as partes. Na reportagem, um dos poucos rapazes que falou, talvez dos seus catorze anos, disse uma coisa que decorei: se é verdade que uma rapariga está com muitos homens e tem a fama estragada, enquanto isso não acontece com eles, também é verdade que se uma rapariga não tem ninguém é porque está a aguardar pela pessoa certa, enquanto que se for um rapaz é um falhado. Considero esta observação muito feliz, porque prova que existem problemas e preocupações de ambas as partes… é um erro pensar que os homens só tratam da parte boa e não se chateiam com mais nada! Com disse, e bem, a pressão social está da parte deles. (falei de forma assexuada, apenas pela continuação da narrativa 🙂 )

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