Jim Morrison – A loucura!

JIM MORRISON, loucura, génio, morteAproveitei o domingo de ontem, aquele dia amorfo, para me entregar ao computador na secretária e ao computador na cama. Alternei e revezei-me, cama, sofá e cinzeiro, foram os sítios por onde passei. Existia a noite de sábado nas marinhas e a semana de trabalho a pesar.

Já sob a noite, decidi-me por um filme dos Doors, com evidente enfâse no Jim Morrison. Foi estranhamente maravilhoso e doloroso. Maravilhoso por tudo o que ele e os Doors significam, por todas as pequenas coisas que aprendi e descobri sobre eles. Uma das bandas que nasci a ouvir e continuei a crescer a ouvir.  Doloroso pela forma como se entregam em espirais negativas, os verdadeiros génios. Ele considerava-se fraco, o que não deixa de ser constrangedor para alguém como eu, que passados tantos anos ainda se dedica tão afincadamente a ouvir a voz dele. É quase alarmante ver pessoas geniais a cadenciarem-se, para o fundo dos poços. Hoje, já não é tão comum, mas ainda existiu a Amy, a continuação da profecia dos vinte e sete. Aliás, o Jim Morrison, depois das partidas do Hendrix e Joplin, dizia aos amigos que seria o terceiro. O processo de Miami, a morte de dois ícones, era a prova que ele não era invencível, que mesmo com a Pam a puxá-lo para longe daquilo, ele poderia continuar a descer para o fundo.

Em Paris, com ela, o sonho durou pouco. Até parou de beber um tempo e dedicou-se à poesia, mas um génio irrequieto, como o dele, não podia viver muito tempo sem a loucura do palco, sem a adrenalina dos Doors. Poucas horas antes de morrer, já com aquela tosse que o fazia sair à rua de pano na cara, ele telefonou para Los Angels, a dizer que queria voltar a gravar com os Doors.

O confrangedor disto, para mim, é a forma como é complicado aliar o génio, a irreverência, aos limites da loucura. Todos os que marcaram eras, desapareceram pela incapacidade de separar o limbo, como se para cada rasgo de genialidade necessitassem de mais uma dose de loucura, de mais um pedaço de heroína ou cocaína e de um whisky qualquer. Custa-me crer que o génio deles nascesse na droga, todos eram brilhantes de mais para isso. Porém, os perigos da genialidade são essencialmente os receios do fim dela. E se com droga existe génio, eles não são capazes de correr o risco de o perder. Até que perdem, perdem o génio, a respiração, a vida. Ficam as lembranças, as perpétuas provas que senão fosse a loucura ainda hoje durariam. Confesso, o caso de Jim Morrison consegue ser mais confuso, existia quem fosse ao concerto só para o ver, pouco interessado em ouvi-lo, mas isso não muda o génio. Não muda a loucura!

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