É outro dia

autoestrada, noite, temporal, sozinhosCom a noite posta, a pervagar sob e sobre uma auto-estrada fria, vazia de pessoas. Alguns carros a deslizarem pela cadência do temporal, da enxurrada de chuvas do céu.

Sozinho, com a música a tocar num rádio distante, apesar de vizinho, leva-se o veículo a rodar com as quatro rodas em sintonia. Compassando as de trás com as da frente. Ninguém se atravessa. Somos só nós e o infinito do escuro, que desenha luzes na paisagem. Casas habitadas que naquela hora não nos dizem nada, são estores abertos a raiar luminosidade. Nada mais. Pessoas não existem.

A viagem segue e segue, sempre sem parar. O carro anda e nós vamos também. Não sabemos para onde, só andamos e andamos, rodas compassadas, rádio a funcionar, luzes de casas aleatórias acesas. Percebemos, ao nosso redor, que existe um mundo, que pessoas habitam nele, mas vamos demasiado sozinhos para percebê-las. A redoma do carro é a metáfora do mundo nosso, e continuamos. O carro anda, o rádio fala, as casas têm a luz acesa. Assim continua a noite de temporal, a auto-estrada vazia. Vamos e vamos.

De repente, a luz do céu acende-se ao fundo, começamos a perceber-lhe uns raios a saírem de trás das montanhas ou do fundo do mar, nem sei bem. Ele aclara-se, como se não quisesse saber da noite que dominou aquela auto-estrada, que obrigou as pessoas das casas a acender as luzes. E é outro dia.

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