Vamos dar um brinde forte à amizade

amizade, brinde, reencontro, laçosComeçam, quase sempre, em encontros de escola, em actividades desportivas ou lúdicas. E vão-se fomentando ao largo da nossa percepção, mas bem à frente do nosso olhar.

Chutamos uma bola pungentes, sem noção do mundo que habitamos, sem ideia das dificuldades que ainda virão, mas com pessoas repetidas à frente. É o João, o André, o Daniel, o Tiago, o Mário, a Mariana, a Inês, a Patrícia, a Carla e mesmo o Pedro e o Nuno, que estão sempre lá, sem percebermos porquê. Passam os dias, o inverno sai do céu e as flores despontam, a adivinhar o Verão que chega, e são sempre os mesmos. Não percebemos a importância que eles conquistam, mas sabemos que eles estão sempre lá. Gostamos que eles estejam lá e, ainda meninos, procuramos mais e mais tempo com eles. Sabemos que aquilo é bom, só não sabemos que se chama felicidade.

Chega a juventude mais tola e vamos juntos atrás do ginásio mandar os primeiros bafos no cigarro, armarmo-nos em espertos e ignorarmos o horário para ir comprar umas gomas e jogar um bilhar. As mães e pais descobrem e estamos todos engalfinhados juntos, atrapalhados e sem saber para onde fugir. Lá nos unimos novamente para não perder o norte e seguir o rumo certo, naquela altura para os nossos pais e depois para nós. Com o tempo a passar, e nós juntos, vamos percebendo que os conselhos dos pais não são desconexos, são de preocupação com o nosso amanhã que se vai abispar rápido e temos que dominá-lo, segurá-lo para o resto da vida. Nesse amanhã eles ainda estão lá. Perdeu-se um ou outro na mudança de escola, mas não está esquecido, uma noite de copos relembra-o sempre. E vamos às nossas primeiras férias juntos, à conquista de lembranças que a vida perdurará com uma certeza avassaladora. Com uma certeza que o infinito dos anos nos trará sempre à memória.

Chegam os fatos vestidos, as camisas trilhadas no cinto das marcas de shoppings, as batas de enfermeiro, os trajes de fisioterapeuta, o fato-treino do professor e continuamos a juntar-nos em jantares de lembrança, em copos fundidos de saudade, em cafés sem açúcar, só adoçados pelas conversas de amizades que nunca se apagam. As rotinas comem-nos como trituradoras, como máquinas feitas para nos obstruir o desprendimento da meninice, sem esquecer o amigo que ignora sempre essas imposições socias e chega-se perto dos trinta com a vida dos dezasseis. Sorrimos com as diferenças que nos unem. Crescemos no mesmo meio e um virou advogado, o outro gestor, o outro enfermeiro ou fisioterapeuta e ainda há o tolo que continua a estudar. Mas estamos lá, todos. Juntos.

Quando damos conta, os cafés já se apagaram da chávena e estamos todos de finos em riste a brindar não sabemos ao quê. No fundo, a brindar a nós. A brindar à amizade, enquanto os anos andam para a frente sem critério. Só com lembranças, que amealham novas histórias. Amizade é assim, perfeita na sua imperfeição. Brindemos!

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