Não nos chamem de geração mimada, foda-se!

manifestação, geração jovem, trabalho, precariedade, reconhecimentoNão posso concordar quando dizem que somos uma geração mimada, que dispondo de tudo pede mais. Precariedade não são favores, não são ajudas, é somente aproveitamento. O povo de outras épocas sofreu no rosto a erosão dos anos, labutou em montes e terrenos, de sol a sol, castrando sonhos que não existiam. Sem mundo, as ambições eram escassas.

Hoje é diferente, o mundo chega pela janela do computador, bate ao vidro do telemóvel, mas isso não faz de nós afortunados. Desculpem, faz é o caralho! Afortunados são os que vêem o seu trabalho reconhecido, não só com dinheiro, também com palavras de elogio. Dizer que trabalhar é a nossa obrigação não é de todo mentira, contudo existem falas necessárias para a nossa motivação. Não é só o dinheiro, é o reconhecimento, a capacidade de elogiarem o que fazemos por um país que raras vezes quer saber de nós. Comparar o rabo com as calças acaba sempre em incongruências, por isso deixem-se lá disso que quem trabalhou foram os antigos nos campos, no calor abrasador e no frio gélido. Claro que trabalharam e com um afinco que eu não discutirei, pelo contrário, elogiarei. Mas, porra, eu só por estar num escritório não trabalho? O mundo move-se de escritórios para linhas de produção. Não me venham com demagogias que só lá é que eles trabalham, eu aqui também trabalho. Posso não acartar pesos nas costas, ou cortar dedos em chapas, mas isso não faz de mim alguém menos trabalhador.

É demagogo e triste afirmar que quem carrega e apanha frio é que trabalha. Somos uma geração onde o conhecimento não é reconhecido, pois as dificuldades levantam defuntos das linhagens em que o conhecimento se fazia no labor duro, sem condições.  Isso são anos que nos enobreceram, que reconheço nos meus avós e ainda nos meus pais, mas se querem caminhar para trás, fazer desse retrocesso o caminho, o certo, avisem-me que não me fico nem mais um segundo.

Eu não quero que me soprem notas para a mão, que me acariciem as costas enquanto apanho banhos de sol, quero é que me dêem a possibilidade de mostrar tanto quanto sei, que tenham a hombridade de me dizer: «fizeste bem, estás a ajudar o país». Estou farto que me digam que é minha obrigação ajudar o país, que devo agradecer quem me paga. Relembro, quem me paga é porque eu lavouro para o merecer. Não existem favores, existem trocas de valor. Se o meu trabalho produzir milhares para a empresa, não me venham dizer que eu posso ser feliz com 600, 700 ou 800€, porque com eles posso estar pela net, comprar um telemóvel, andar de carro e pontualmente fazer férias. Isso é uma visão obtusa do mundo. Fechada.

Eu quero receber é o reconhecimento do meu trabalho, e se trabalho muito o reconhecimento tem que ser à medida disso. Estou farto de ouvir que quem está nos trabalhos pesados é que merece. Merece pois, mas isso não me impede de ambicionar e merecer mais. Chega de bacocos argumentos de que antes é que se trabalhava. Hoje o mundo não vive só das fundições e dos campos, também existe a tecnologia e nela também se trabalha. Estou cansado de um país que não me reconhece valor, que ignora o que eu faço por achar que é somente obrigação. Estou cansado, mas não desisto, pois um dia acredito que vos esfregarei na cara o meu valor. E, nessa hora, não terei vergonha nenhuma de esticar um manguito a todos os que me diziam que era só uma obrigação minha trabalhar. É obrigação mas tenho prazer no que faço, não suporto que me tirem o valor. Foda-se!

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4 thoughts on “Não nos chamem de geração mimada, foda-se!

  1. Deixa-me adivinhar, o tempo cinzento voltou…tinha feito um comentario tao profundo ali na nossa varanda e afinal nao entrou…telemoveis d ultima geracao dizem eles…bem ao que interessa…!
    Admito que apesar de gostar de te imaginar a falar numa conversa aquilo que aqui escreves acho que hoje foste muito agressivo…nao deixas de ter razao, nao posso de todo nao te dar razao, pois compreendo bem o nao ser reconhecido pelo trabalho que fazia nesse nosso portugal!mas de facto a que medir palavras, violencia nunca levou a lado nenhum..!
    Espero que um dia isso melhore, um dia perto de hoje se possivel!quanto à tua pessoa em particular sei que vais ter um merecido reconhecimento pelo que fazes nao tarda vais ver!abraco

    • Grande Zãaaooo,

      Infelizmente, acho que não percebeste muito bem o meu texto. Não estava de forma nenhuma tempo cinzento, ou à procura de qualquer tipo de violência – até porque a repudio absolutamente. Eu simplesmente fiz um desabafo, não te deixes enganar pelos imprupérios, eles são tão banais que só se estranham numa passagem para escritos. Eu desabafei e desabafei com o coração nas mãos e, quando assim é, não dá para esconder as aneiras que esvoaçam de nós. Agora, violência? Por essa não esperava, Zão! No dia que eu tiver que recorrer à violência, estou acabado, os meus argumentos esgotaram-se. Se o que te fez aflição foi o manguito, existe uma explicação: sou boa pessoa, gosto de esgrimir argumentos, mas não sou parvo. Quem come sempre a calar, não é educado, é tonto! E eu tonto não sou. Só isso!
      Mas, garanto-te, não estava de todo cinzento. E não queria ficar, por isso desabafei 🙂

      Grande abraço

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