Amar na rotina

mãos dadas, rotina, amor, romance, supermercado, compras, abraçados, cobertorOs poemas falam das dilacerações extramundanas, daqueles afogueamentos pelas linhas do interior. Contam romances e sentimentos aflitivos, quase a rasgar-nos por dentro. Os de músicas e filmes atrapalham-se com outras pessoas, raramente vivem sem um triângulo. É tão natural o triângulo aparecer como o sol bater no mar em pleno agosto. São estas as histórias que as pessoas devoram pela visão e absorvem pela audição.

E o dia-a-dia do amor?

Esse vive-se nas viagens pelo caminho de casa, abraçados depois de um dia de trabalho. Nos beijitos quase penicados, para despedir antes de uma qualquer tarefa separados que se avizinha, seja a partida para mais uma jornada de trabalho, seja a mulher que vai entrar na Zara e ele que vai tomar café no quiosque. Há separação, há beijo. Há a mão que se dá, que se enleia como um nó que não se quer perder, para caminhar em conjunto. A distância é fria e a necessidade de presença conjunta afaga o aperto. Há os filmes, com um cobertor a embrulhar, ao género de um amor de presente, que vem enlaçado e pronto a ser entregue a todos os que não percebam a essência do palpitar do coração. A ida às compras, os sacos da mulher o segurar do homem, a ida ao cinema com a dúvida entre a comédia-romântica ou arriscar sugerir o policial que só dá mortes. Não importa, há amor.

Depois há as discussões em que não há o terceiro, em que não se forma o triângulo. Elas nascem da tampa da sanita que teima em não baixar, do raio da mania de se deixar migalhas na cama ou no sofá, de mudar de ideias em relação à camisola, ou top, e já não haver viagem de regresso ao guarda-fatos, da sapatada nas costas, com o típico: para onde estavas a olhar? Há a frase que foi mal proferida, o elogio que foi esquecido, o futebol que apareceu à frente do jantar, o copo a mais com os amigos na mesa do café, o exagero do dinheiro gasto em roupas. Tudo isto é amor.

Nem sempre há triângulos, dilacerações pungentes, ou pensamentos assombrosos. Por vezes, há só rotina. Há só amor.

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