Do Eusébio ao Feher

eusébio, feher, aniversário, morte, saudade, conquistas, benfica, portugalHoje é um dia incontornável para os benfiquistas, tanto como devia ser para os amantes do futebol. É uma data muitíssimo unânime, para existirem clubismos a separá-la.

Há setenta e um anos, em Lourenço Marques, actual Maputo, nascia um dos maiores símbolos do nosso desporto. Uma perpetuidade, que felizmente ainda se encontra entre nós. Um homem que teve no Mundial de 66 o seu auge, pela pátria que o acolheu e que ama como se nunca tivesse conhecido outra. Com a camisola do meu Benfica, ele ergueu anos que nem a cadência das memórias futuras poderão apagar. Uns, mais azulados, gostam de falar de Salazar, quando, na verdade, existiam nomes como o de Eusébio, que em 614 jogos oficiais pelo Benfica marcou 638 golos. Vencendo onze campeonatos nacionais, cinco taças de Portugal e uma taça dos campeões europeus, com presença em mais três finais. Juntando a isto, na taça dos campeões europeus foi o melhor marcador três vezes e ainda ganhou a bola de ouro por duas vezes (foi o primeiro português a conquistar uma). Tudo isto em vinte e duas épocas de profissional, em que quinze foram passadas no Benfica. Com um jogador destes, ombreado por outros de imensa qualidade, apenas ofuscados pelo seu brilhantismo, acho desonesto falar do Salazar. Foi apelidado de Pérola Negra, Pantera Negra e de Rei – sendo que este último me parece o que melhor lhe veste.

Parabéns, Eusébio.

No entanto, este dia não se esgota aqui. Faz hoje nove anos que o Benfica viveu um dos seus dias mais negros. Recordo-me de estar num café, com o meu pai, com os nervos em franja com o jogo que estava difícil, dando inclusive para o Fernando Aguiar fazer golo, quando ele se tombou no chão depois de um lance em que viu amarelo. Na inocência dos meus dezasseis anos, ou no fervor do meu benfiquismo, proferi com força, vigor: levanta-te, caralho, ainda vais para a rua!  Mas esta insânia resistiu poucos segundos, logo se percebeu que era algo de mais negro que assolava o Afonso Henriques. O local onde nasceu Portugal, via partir o Feher. Durante todo o processo de reanimação no relvado, as pessoas ergueram-se olhando a televisão, silenciando o café num declame imenso de força para aquele húngaro, que só o destino pode saber se faria história na águia. Não foi longa a sua passagem, mas deixou a triste marca da sua partida. O meu Benfica, como pai atencioso que é, jamais lhe virou as costas. Ofereceu-lhe o seu 29 para a eternidade, tirando-o de circulação, e não deixando jamais de assinalar este dia. Um dia antagónico para o meu clube, onde se festeja o nascimento do seu maior símbolo, ao mesmo tempo que se chora a partida de um menino que deixou saudades.

Tenho orgulho do meu Benfica, mas hoje o meu texto vai muito além disso. Se o desporto se quer trajado de fair-play, pois que hoje não haja clubismos na hora de dar uma palavra a estas duas nossas lendas. Uma do prazer imenso das conquistas, a outra da injustiça da vida, da partida abrupta de quem tinha tanto para dar. Obrigado a ambos, um pelo que ganhou o outro pelo sorriso com que nos brindou.

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