Vaticano investe no imobiliário

papa, vaticano, religião, crença, londres, imobiliarioOntem vi uma notícia, que se referia à compra de edifícios de luxo, num dos bairros mais sumptuosos de Londres, pelo Vaticano. Situação que não é única, já havia sido feita em França e na Suíça.

Naturalmente, usei do sarcasmo para comentar a situação, aludindo a palavras doutrinadas por altos representantes da instituição igreja. Fi-lo, pois as incongruências a mim afligem-me. Não sou um dos crentes opostos, daqueles que vasculham, nos limiares da história, os mínimos detalhes para desmembrar toda a crença católica, nem tampouco puxo a Inquisição para a desdenhar. Não o faço porque respeito fés. Isto que seja ponto assente: eu respeito fés!

Eu sou um homem devoto de crenças, sejam elas de que géneros forem. Respeito tanto quem vê no Cristo a devoção, como quem vê no Slash. Não me interessa o âmbito da crença, interessa-me o conteúdo da veneração dela. Para mim, na minha parca experimentação, devoção é respeito e admiração, por alguém que nos guia num rumo que pretendemos enlaçar. É uma robustez vinda do interior, que nos cospe do marasmo nas fraquezas.

Sejamos crentes.

No entanto, o que me fez satirizar, esta notícia do Vaticano, foi exactamente o meu desrespeitos pelas contradições.  Não suporto quem diz: olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço. Por isso, eu declarei respeitar tanto quem tem crença no Slash, como no Cristo – ou vice-versa. O Slash não deixa representantes falar por si, é dono de si, vive da contemporaneidade, e se me falarem da disparidade de valores, eu diria que o Slash é o que é, e quem se deixar devotar por ele tem conhecimento disso mesmo. Cristo, a base da imagem divina, é de uma pureza que é difícil ficarmos alheados, no entanto a desenvoltura dos anos trouxe consigo representantes. E é nesta facção, na dos representantes, que a minha crença se tem feito descrença. Tivesse eu conhecido Cristo e seria um católico mais devoto. Porém, a história só me deixou rastos de frivolidades, que em nada se coadunam com os valores equitativos – e divinos – que ELE legou na sua passagem. Se existiu se não, isso são outras histórias.

Assim, a minha crítica vai para elementos dessa instituição que altivam a voz ao mundo, para descapitalizarem as políticas, para se apartarem das conquistas, e protegerem os desfavorecidos, darem oportunidades aos desafortunados. Uma ova. Vendessem vocês metade dos bens, que no Vaticano possuem, e muitos crentes estariam melhores. Não me falem das balelas das obras de caridade, pois essas são meritórias e jamais lhes faltaria ao respeito, não suporto é ver que muitas nascem da vontade de pouco afortunados. Crentes e pouco afortunados, são os que vos dão bom nome, pois vós só olhais a situações destas, de ganância.

Se eu me puser no cume de um púlpito e proferir: amigos, conheci uma região que passa fome, por favor façam-me chegar um milhão de euros para ajudá-los. Ao mesmo tempo que tenho trezentos ou quatrocentos milhões na conta, não estarei a ser um Deus, estarei a ser um usurpador. Não do dinheiro, que esse é dado de boa vontade, mas sim da crença, dos valores. Não bate a bota com a perdigota.

Era só isto que tinha a dizer. Não é justo pedirmos o que já temos, sem antes o avisar. Se querem ajudar, se são tão nobres assim, pois que façam o bem sem necessitarem da ajuda de cristão pobres que tiram da sua boca para dar à de outros. Tendo existido Deus, ele reencarnou nessas pessoas, não nos que representam a igreja com sumptuosidade e regalias. Tenho dito.

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