A queda dos mitos

lance arsmstrong, doping, tour de france, oprah winfrey, mitos, queda, tristezaSoube agora que, ao que tudo indica, Armstrong terá confessado a Oprah que se dopou. Que depois de anos a salutar pela sua inocência, desistiu e confessou-se. No palco da justiça? Não, nos bastidores de um dos programas mais conhecidos do mundo. Um tanto ou quanto irónico, sem, no entanto, retirar a eventualidade da restituição dos prémios monetários e, quem sabe, pena de prisão, segundo especialistas.

É a queda de um mito. Se as certezas eram quase absolutas, como aliás o são em muitos ciclistas, a confissão torna tudo mais verdade, tudo mais real. Os que ainda acreditavam deixam de acreditar e isso faz uma diferença monstruosa. É um dia triste, por muito que já fosse anunciado.

Isto faz-me pensar em mitos, na forma como concebemos pessoas excepcionais pela sua destreza na arte das suas áreas, pelas suas aparências em entrevistas que revelam vidas, para depois tudo se desabar em poucos momentos, em situações infelizes. Idealizamos pessoas, sem na verdade as conhecermos, para em algum momento nos desencantarmos, percebermos que são vestidos de uma pele tão humana como a nossa, que o que são os nossos defeitos também podem ser os deles, e isso tira-lhes uma parte demasiado considerável daquele revestimento que os fazia fantásticos. Isto porque alimentamo-nos dos mitos é na fraqueza, nas horas que o nosso Eu sucumbiu, que se tombou pela montanha dos receios, das dúvidas, das tristezas, ou do que for, para eles serem os nossos guias. Para, no fundo, imaginarmos o que eles fariam naquele instante para se restituírem da vida, para se impugnarem de miudezas, e seguirem caminho.

Não fazem nada mais que nós. Talvez devêssemos perceber que o nosso vizinho da mercearia, a moça jeitosa da lavandaria, ou o feio dos presuntos, também têm algo de mito. Que os do topo têm o caminho como exemplo, mas os da vida alhada de grandes aparições, têm a força do dia-a-dia.

Eu quero ser o meu mito, sem ser o de mais ninguém. Se magoar magoou a mim, se exultar exulto a mim. Vocês, que estão desse lado, se me quiserem admirar eu não negarei, terei é que avisar que tenho defeitos. Alguns grandes, feios e escabrosos. Quais? Isso pouco importa, quero que saibam é que tenho. Que admirar não seja uma necessidade, mas sim um prazer.

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2 thoughts on “A queda dos mitos

    • A verdade é essa, mas falando dele pode-se ir a muitos outros. Temos a tendência natural, e aceitável, de ver nos ídolos a perfeição que não encontramos em nós, contudo nem sempre isso é verdade. Que isto sirva, pelo menos, para vermos mais valor em nós e necessitarmos menos do de outros.

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