A arte discriminada

joshua-bell, artistas de rua, descriminação, pintura, música, literaturaJá ouviram falar de Joshua Bell? Eu digo quem é, é um dos mais virtuosos violinistas do mundo. Um músico capaz de encher auditórios para se ouvir o veludo do seu violino; um americano que coloca pessoas disponíveis para pagarem pequenas fortunas só para assistirem a um espectáculo seu. Um autêntico Cristiano Ronaldo, ou Messi, da música clássica.

Sabem porque falo dele? Porque num desafio, do Washington Post, ele foi tocar para uma estação de metro, durante quarenta e cinco minutos, amealhando a astronómica quantia de trinta e dois dólares. Sim, alguém por quem se paga cem dólares por espectáculo, em quarenta e cinco minutos amealhou trinta e dois. Mais, as pessoas nem sequer se paravam para vê-lo e ouvi-lo, ficando, inclusive, abezerradas com as crianças, com quem fez mais sucesso. Acabou por sair de lá cabisbaixo, sem qualquer aplauso.

A minha questão é simples, duvidam que alguns dos que por lá passaram irão a um dos futuros espectáculos e elogiarão, depois, o seu brilhantismo? Eu não duvido. E não condeno isso, eu próprio não o reconheceria na rua. Condeno é que naquele momento não se veja arte, apenas alguém que não merece crédito. Não julgo o não conhecer a pessoa, julgo o não se perceber a arte pelo enquadramento, pela situação, pela discriminação.

Os gostos são main-stream. Na arte, se um grupo considerável elogia um determinado individuo, certamente ele se tornará um ícone. Isto porque apenas alguns se sentem impelidos de perceber arte em todo o lado que ela existe. Outros, que depois pagarão uma fortuna para vê-los, usando de palavras assombrosas para lhes gabarem os dotes, quando antes se cruzaram com eles numa qualquer rua a guitarrar grandes músicas, o que viram foi um sem-abrigo ou um drogado. Porque quando viram um texto dele numa revista pequena, pensaram: já não há paciência para estes miúdos armados em intelectuais. Ou quando lhe viram uma pintura, num mural, disseram: estes só querem estragar as paredes.

E assim vai a percepção de arte, preconceituosa como tantas outras coisas.

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