Do cantar dos reis à troika

noite de reis, janeiras, ovar, lagarde, fmi, troika, obscenoPor estes dias, Christine Lagarde, representante máxima do FMI, cedeu uma entrevista ao semanário Expresso, onde falou da situação de Portugal. Isto, em simultâneo, com o cantar dos reis, pela cidade de Ovar.

Cafés, casas particulares de amigos e admiradores, ou mesmo o Centro de Artes, acolheram a sonorização dos reis vareiros, em íntimos tocar de viola, em sopros concludentes de vozes do povo, que se faz artista da música. Uma coisa bonita de mais. Provoca um arrepio bom, o afino certo de um conjunto de pessoas que se move no apelo da tradição, no perpetuar de sensações carinhosas, numa época, exactamente, de carinho.

Enquanto isso, Lagarde elogiava o povo português, pelo espírito de cooperação, deixando claro que não somos gregos. Que Portugal jamais iria querer a renegociação da dívida, precisamente por não sermos gregos. Oh banho de estima, este elogio à herculana forma de estar do nosso povo de quinas.

Brinquei, também eu, aos reis. Não numa troupe oficial, daquelas como manda à regra da tradição, só num grupo de amigos que queria passar um bom-bocado, proporcionando igual bom-bocado. Objectivo cumprido, com notada nota artística. Dois ou três bons de ouvido e voz, de música, e mais uns quantos, como eu, bons de espírito. Foi um regalo ver pessoas habituadas a troupes, à séria, em regozijo connosco. Prova máxima do que Lagarde falava, a beleza deste povo.

No entanto, da entrevista dela, retenho uma coisa: quando questionada sobre os sacrifícios, para pouca alteração nos resultados do défice, referia que não ligava a nominais, interessa é a reforma estrutural. Pois bem, nominais são o raio que a parta. Nós somos pessoas, temos um tecido de pele, um coração de sangue, uma voz de alegria, que às vezes também veste tristeza, tudo sem números. Os números são a estrutura dos magnatas. A nossa estrutura são os sorrisos, as condições de felicidade.

Duvida? Pois então passe por Ovar, delicie-se com o cantar dos reis, com a beleza de letras de filhos da terra, com a astúcia musical de miúdos e graúdos, e logo me diga quem são os nominais. Você não conhece Portugal, conhece os números portugueses. Assim, não se confunda, nominais são o raio que a parta, oh Lagarde. Você e esse seu gesto obsceno.

Para encomenda de livros, sem portes: ricardoalopes.lopes@gmail.com

Para compra directa: http://www.bubok.pt/livros/6257/Realidades

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s