Não é só desemprego, é de longa-duração (Vamos bater o pé, Portugal!)

desemprego, austeridade, aumento desemprego, desemprego longa-duração, dificuldades, jovens, faixa etária, aumentosSe ontem expunha, aqui, todas as minhas esperanças para este ano, eis que hoje falo de coisas más. Coisas feias. O desemprego. O raio do desemprego.

483.900 pessoas estão no desemprego de longa duração, e por longa duração entenda-se mais de 12 meses sem trabalhar. É frustrante. A mim custa-me imaginar os dias flirtado por expectativas de futuro, que se desvanecem a cada CV enviado sem resposta; a cada entrevista sem réplica positiva; a cada medida que castra o potenciamento económico. É uma dor grande de mais, coisa para desesperar.

Vejo amigos a passar por isto, vejo outros a irem para o estrangeiro e vejo-me a mim empregado, com ordenado, com projectos, mas com tantas expectativas que o país parece incapaz de acolher. É estranha esta sensação que hoje me percute a alma, mais do que o corpo a alma. Sinto-me vazio de apoio, de quem deveria defender-nos com as garras de fora. São politiquices, com terminologias imperceptíveis para quem labuta apenas por uma existência pautada por necessidades de felicidade, de realização, de futuro. Onde está quem devia dar a cara por nós? Sim, devemos ser os primeiros a dar a cara. Sim, devemos estar preparados para levar estalos. No entanto, termos o nosso estado a esbofetear-nos é o mesmo que os nossos pais, aos 14 anos, nos dizerem: uma ova é que vais estudar, tens mais é que trabalhar. É triste.

Este número de desempregados de longa duração aumentou 35.8%, só no último semestre de 2012. Que futuro é este? Mais vale viver do passado, tal a angústia de não ter e não ver como ter. Mais, neste aumento, a maior franja vai para a faixa-etária dos 15 aos 24 anos, onde o aumento é de 60.4%. Como dizia num dos meus últimos textos, aqui pelo blogue, este país não só não é para velhos, como não é, também, para novos. Somos escorraçados do nosso ventre patriótico, a bem de umas demagogias infligidas por uma Alemanha que a tantos já deveu. Qual a lógica disto? Foder quem se pode, para mais tarde foder mais ainda? Desculpem o vernáculo, contudo não me apraz usar mais terminologia alguma. Tenho emprego, é certo, mas sou jovem, mas sou português. Sinto as dores como minhas, porque são minhas, porque são de amigos meus. Porque a mim não me chega o que tenho, porque a ninguém deve chegar o que tem, e se um estado defende que basta, que o excesso é para eles, é porque apenas procura destruir quem lhes deu poiso. Austeridade? Lembrem-me um caso bem-sucedido e logo me calarei.

Até lá, lutarei com palavras para que o meu país, que é tão meu como quem de fato o (des)governa, não seja este Egipto das múmias. Em que se embrulha uma população em ligaduras, para se castrar em túmulos a esperança de um futuro.

Sou jovem, sou português e sou sonhador. Como eu muitos, por isso basta. Chega de mentiras encapuzadas de necessidades, chega de balelas austeras. Se é verdade que o mundo está mal, também é verdade que pode ser o momento de bater o pé.  Vamos bater o pé, Portugal!

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