O dia do lançamento. Recebi um coração grande!

Lançamento, REALIDADES, Ricardo Alves Lopes, Ral, Junta de freguesia de OvarNos momentos de ansiedade, as palavras atrapalham-se. Fazem feridas ao bater no céu-da-boca, após terem aleijado a garganta na subida. São momentos de grande nervosismo.

Ontem passei por isso, depois de me terem feito uma apresentação que me despontou mil sensações, entre a vaidade, o orgulho e a sensação de exagero. Foi estranho imaginar que me podiam ver daquela forma, daquele jeito tão apaixonante. A professora Irina sempre foi uma pessoa excepcional, que me apoiou de uma maneira absoluta, nesta caminhada. No entanto, ouvir aquelas palavras, aquele deslize delicioso de adjectivos, que uso para as pessoas que admiro, foi assombroso. Foi assim que me senti, assombrado.

Com esse assombro, senti que havia pouco mais a dizer. Que todas as palavras, que pudesse usar, seriam para beliscar o que de tão belo tinha sido proferido. Agarrei-me, na lateral, à mesa, como segurança, como asseveração do tangível, da realidade daquele momento. Assim que me levantei, experimentei a certeza que deveria ter preparado umas palavras. Aprazia-me dizer: ainda te vais lixar, com essa vaidade camuflada de querer dizer as coisas do coração. É verdade, eu tenho essa vesânia de querer transmitir as coisas no momento, de querer escrever as dedicatórias junto das pessoas. Sei que as palavras não fluem com o ritmo de um texto trabalhado, que existe o risco de ficarem coisas por dizer, ou palavras escondidas naquelas vírgulas, mas não existe escape ou fronteiras. Sai do coração e voa para o ar ou o papel, de forma assarapantada mas repentina e sincera. Desculpem se ficar aquém, não são as palavras mais belas que posso escrever, contudo que são as mais sinceras e espontâneas que tenho.

Com o decorrer do tempo, sentia uma panela ao lume, a ferver, bem no fulcro do meu rosto. Bem sei que sou vermelhinho, mas ontem estava um tomate fervido, um pimento benfiquista. Aquele vermelhão, aquele calor, para além dos nervos, era o inflame do meu coração a calcorrear todo o corpo. Ter tido os meus pais orgulhosos a olharem-me, como se contemplassem o seu rebento pela primeira vez, como se eu ainda estivesse na maternidade, na alcofa, foi de um calor humano, de um afago para a existência, que jamais poderei descrever. Ter a minha namorada a apoiar-me, a assegurar-me que tudo iria correr bem, foi um voto de confiança ao nível de um aplauso de uma multidão em êxtase. Fez-me sentir especial, como ela tão bem o faz, como ela tão bem o é. Especial!

Depois, estando ali na presença das primeiras pessoas que chegavam, como a Andreia do Jornal de Estarreja, que desde Abril que aposta em mim para mensalmente lhe oferecer umas palavras para impressão, fazia-me sentir feliz. Eu estava feliz e, então, quando rompe pelas ruas da urbe vareira uma multidão de amigos – digo uma multidão porque bastariam ser dois para eu sentir a sala cheia. Aí o púlpito do meu íntimo, o cume da minha admiração, explodiu. Foi como se uma janela aberta, com folhas no parapeito, visse entrar um pequeno tufão. Tudo ficou em alvoroço. Num alvoroço feliz. Desculpem-me não ter as palavras exactas para redigir o quanto vos agradeço, o quanto vos gosto. Mas conseguem ouvir? Prestem atenção, é o barulho do meu coração a bater. Pum,pum,pum, está acelerado. Está feliz.

A minha família, com avós e tios, a entrar a sorrir-me, a atentarem no que dizia, foi uma espécie de lavagem do coração. Um arrumo feito, para lhe aumentar o espaço, para o deixar mais amplo. Sinto hoje que tenho um coração maior, que tenho mais amor para dar e receber. Para oferecer sempre.

Por fim, comovi-me em diversos momentos com as palavras do Prof. Joaquim Barbosa, ou do caro amigo Américo. Foram doseadores de palavras, parece que dispunham de uma régua para acertar-me no centro do fulcro – passe a redundância, propositada. Foram excepcionais, desde o momento que me cederam o espaço, até ao momento que fecharam os discursos deixando-me em tamanha sensação de realização. Obrigado. É pouco, mas é dado de coração.

No fim, ver uma extensão de pessoas, com um livro que estou na capa, prontas para me dar um abraço e receber umas palavras minhas, é o mesmo que sentir-me deus. Sei que isto não é humilde de ser dito, mas quem tem amigos destes não pode ser humilde. Não pode ser humilde no que toca à amizade. São os maiores do mundo, são os que escolhi, são os que me escolheram. Isso jamais terá preço, ou humildade, só um orgulho e prazer desmesurado.

A humildade deixo para outras coisas, para a convicção de que quero continuar, sabendo que a minha maior inteligência, a minha essência intelectual, está na capacidade de perguntar, de ver. É nisto que me sinto humilde, não renego nada. Quero ver e saber tudo, todos têm algo para me dar e dizer. Vocês, família, amigos, namorada, que ontem lá estiveram, ou que ontem me enviaram a boa sorte por mensagens e telefonemas, deram-me a maior prova de amor conjunta que alguma vez tive. Recebi um globo vermelho, a palpitar. Recebi um coração grande.

ricardoalopes.lopes@gmail.com (e-mail para reserva de livros)

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4 thoughts on “O dia do lançamento. Recebi um coração grande!

  1. Ricardo muitos Parabéns! Foi com muita pena que não pude estar presente ontem na apresentação do livro porque já tinha um compromisso marcado há muito e que não podia adiar. Mas estou comovida com as tuas palavras de agradecimento a todos que te apoiaram e sinto-me muito orgulhosa do meu afilhado. Beijinhos e muitas Felicidades

    • Os meus parabéns por este sucesso alcançado, com a certeza de que mais virão!
      Amigo “do lenço”, mesmo longe fiquei a torcer para que tudo corresse bem neste estreia fenomenal, um passo de gigante…
      Agora que estou em terras lusas por uns tempos, faço questão de te cumprimentar por isto, e enaltecer toda esta caminhada sem desistências…e claro, eu quero um livro!
      Desejo-te os maiores sucessos, e fico à espera de novos trabalhos teus.
      Beijinhos

      • Muito obrigado, Inesinha 🙂

        Foi um dia muito especial, até porque como se diz: este já ninguém me tira. Aceitarei de bomgrado esse cumprimento, bem como te entregarei com prazer o livro. Espero que possas manter essas palavras de elogio, após a leitura dele 🙂 Quanto ao futuro, espero começar a desenhá-lo já hoje!

        Beijinhos e muito obrigado 🙂

    • Muito obrigado, Madrinha! Foi um dia muito especial para mim, mas não esqueci todos os que não puderam estar presentes. Outras oportunidades irão existir, e no sábado dividi a minha alegria por todos os presentes, mas também por todos os que não tiveram hipótese de comparecer e sempre me apoiaram. beijinhos e muito obrigado, Madrinha 🙂

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